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1 (1)O mundo do samba tem sido uma fonte aparentemente inesgotável de abordagens pelo cinema documental. A cada realizador compete encontrar o seu ângulo, o seu recorte, e a euforia do samba cuida de providenciar o restante. Susanna Lira, em Damas do Samba, procurou dar conta do axé que as mulheres trouxeram para as quadras, terreiros e pistas do carnaval. Não se assuste com as primeiras sequências um tanto histórico-explicativas, pois não são elas que vão dar o tom dominante. O roteiro trata do feminino no samba numa linha evolutiva que vai da Tia Ciata, no início do século passado, às meninas espevitadas que levam o gingado para o futuro nas escolas de samba mirins. Por esse caminho passam as tias, pastoras, baianas, porta-bandeiras, destaques, passistas, carnavalescas, aderecistas, cantoras – de figuras mitológicas a herdeiras da grande dinastia sambística carioca.

Quase todas aparecem “montadas”, maquiadas, numa espécie de elogio do glamour ou da sensualidade. Várias delas oferecem pequenas performances à capella, destacando-se Dona Ivone Lara cantando Sonho Meu e Beth Carvalho imitando Clementina de Jesus. A abordagem interpretativa do fator feminino vai aos poucos cedendo lugar a simples manifestações de júbilo e emoção na medida em que elas falam de suas atividades e seu orgulho. No fim, impõe-se o clima de celebração, em meio a imagens muito bonitas que tiram partido do cromatismo exuberante dos figurinos do carnaval. Assim Damas do Samba acaba confirmando a noção de que, não importa a intenção inicial, tudo o que é do samba acaba mesmo em samba.