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vlcsnap-2016-05-08-17h08m35s277

Galera, escuta, foi ontem que eu vi
O último filme do Spike Lee
Petardo! Projétil! Vou contar aqui:
O nome é CHI-RAQ e tem logo quem saque:
É onde Chicago parece o Iraque.
Gueto de negros e pardos, rudes bardos
que falam rimado naquele gingado
em que cada um é um craque.
A parada se inspira numa tragédia grega
Lisístrata é a líder, deusa-gata negra,
que para pôr fim à guerra de gangs,
ao cruel bangue-bangue
que mata seus filhos no meio das ruas,
convoca as mulheres a não ficarem mais nuas
diante dos machos armados, não mais amados
“No peace, no pussy” – e estamos conversados.
Greve de sexo contra os tiroteios urbanos
Parem a guerra entre troianos e espartanos!
Cíclopes, Cavaleiros do Eufrates,
todos se lançam a tensos debates
Sem foda não dá pra levar os combates.
Bancando o Aristófanes da era hip-hop,
Spike dirige em velô de galope
cheio de humor, energia e tesão
Filme-manifesto, um gesto de subversão
que explode em música, dança e palavras
Samuel L. Jackson é o coro, é o cara, a voz que escalavra
cada momento na carne viva da ironia
até o duelo final na cama da alegoria.
West Side Story é matriz, a gente vê bem
Mas o braço do Spike se estende pr’além
Homenageia ativistas, satiriza o poder branco
Usa a “licença negra” para ser muito franco
ao mostrar como os negros se matam entre si
reforçando o sistema perverso dali.
CHI-RAQ é ultrajante, pacifista, efusivo
Spike Lee, corajoso e intenso, está mais do que vivo.