Prova limítrofe de amor

DOMINGO À NOITE

Mais um filme sobre Alzheimer e as consequências familiares de praxe. Domingo à Noite seria apenas isso não fosse a bela atuação de Marieta Severo no papel da grande atriz que precisa concluir uma filmagem antes que a doença progrida drasticamente. Margot já cuida amorosamente do marido escritor (Zécarlos Machado) que já está em estágio bem mais avançado da Alzheimer. O seu próprio diagnóstico chega como a duplicação de um drama, já que ela era tida como a pessoa “forte” que haveria de amparar o marido.

Margot precisa lidar ainda com as queixas da filha também atriz (Natália Lage), o fracasso do filho consultor de investimentos (Johnnas Oliva), o luto pela filha falecida e as pressões do produtor do filme para rodar a última cena que ela não consegue mais decorar.

O filme de André Bushatsky se insere num filão bastante explorado pelo cinema ultimamente, onde figuram como expoentes Amor, de Michael Haneke, Meu Pai, de Florian Zeller, Vortex, de Gaspar Noé, e o documentário A Memória Infinita, de Maite Alberdi. A demência afeta tanto o portador quanto seu entorno afetivo. Para casais, é uma prova limítrofe de amor – e o noticiário recente tem sido pródigo em desfechos semelhantes ao que se vê aqui.

Domingo à Noite trata do assunto de maneira um tanto novelesca, não só na forma como encaminha os vários blocos dramáticos, mas também pela estética bastante televisiva. O diretor, por sinal, é responsável por Brasileiríssima, recente documentário sobre as telenovelas brasileiras. Embora tenha bons momentos de encenação do cotidiano, sobretudo no início, o filme se deixa levar por soluções muito óbvias e por vezes naufraga sob uma trilha musical invasiva e piegas (de André Abujamra!!!). Marieta é o grande trunfo que eventualmente nos faz esquecer as deficiências.

>> Domingo à Noite está nos cinemas.

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