Cenas baianas

Elas não sabiam que eu sou baiano quando me chamaram para integrar o grupo curador. Sofia Frederico, então na Secretaria de Cultura da Bahia, e Moema Müller, pela Cinemateca Brasileira e a Programadora Brasil, foram as locomotivas que puxaram a criação da caixa de 12 DVDs Bahia, 100 Anos de Cinema. Da curadoria participaram ainda o cineasta Joel de Almeida e os pesquisadores Maria do Socorro Carvalho e Rubens Machado Jr.

O projeto foi tocado em ritmo veloz no segundo semestre do ano passado, uma vez que o lançamento deveria ocorrer até o fim de dezembro, a tempo de se comemorar o centenário do cinema baiano. Na lista final de 30 filmes, entre curtas, longas e médias-metragens, sempre haverá quem aponte lacunas imperdoáveis – a começar por nós mesmos. Mas nossa missão foi escolher o melhor possível dentro de certos parâmetros, entre eles: existência de matrizes em bom estado; concordância dos produtores; cobertura dos principais nomes do cinema do estado; filmes autenticamente baianos e não meras utilizações dos cenários da Bahia.

Por estarem perdidos, não foi possível ressuscitar os primeiros títulos locais, filmados pelos pioneiros Diomedes Gramacho e José Dias da Costa em 1910. O filme mais antigo na coletânea é Vadiação, raro doc do prolífico Alexandre Robatto Filho, o primeiro grande documentarista baiano. Outras boas raridades são o primeiro longa de Roberto Pires, Redenção (1958), o longa de animação Boi Aruá, de Chico Liberato, o mítico marginal Caveira My Friend, de Álvaro Guimarães, além de diversos curtas de importância histórica e há muito fora das telas. Entre esses, Comunidade do Maciel, de Tuna Espinheira, Um Dia na Rampa, de Luiz Paulino dos Santos, Sob o Ditame de Rude Almajesto, de Olney São Paulo, Adeus Rodelas, de Agnaldo “Siri” Azevedo, e Gato/Capoeira, de Mário Cravo Neto.

A caixa repõe em circulação, por enquanto restrita, um conjunto expressivo de filmes. É claro que há Glauberes, Navarros e Meteorango Kid. Docs, fics, animações e experimentais. O título mais recente é o curta O Guarani (2008), de Cláudio Marques e Marília Hughes, filme-celebração em torno do célebre cinema Guarani da Praça Castro Alves (hoje Espaço Glauber Rocha).

As escolhas dos curadores estão justificadas em pequenos textos de um livreto que acompanha os DVDs. Amanhã publico aqui o meu, sobre a tradição documental baiana.

As coletâneas estão sendo distribuídas a videotecas, universidades e centros de cultura. Os interessados em pleitear uma doação podem se informar no site da Dimas/Funceb/Secult.

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