Como desenho na areia

É Tudo Verdade – Cinéfilos, não esperem grandes revelações do doc Carrière 250 Metros. Afora um encontro muito simpático com Milos Forman e alguns recuerdos de Buñuel, não há muitas reminiscências cinematográficas nessa viagem-memória do roteirista de tantas obras-primas. Em compensação, temos insights das múltiplas ocupações de Jean-Claude Carrière: o homem de teatro que fez parceria indestrutível com Peter Brook, o coletor de histórias que se compara a um coletor de borboletas, o viajante apaixonado que se empanturra da cultura de cada lugar, o filósofo dado a fábulas e narrativas mitológicas.

O filme de Juan Carlos Rulfo, filho do escritor mexicano Juan Rulfo, foi escrito por Carrière e é narrado por ele em primeira pessoa – ora em francês, ora em espanhol ou em inglês. Carrega, assim, a marca de um escritor que se deixa levar pela imaginação. O filme flutua com ele entre cenas familiares (sua atual esposa é iraniana), encontros com velhos amigos, visitas a locais de importância afetiva, conversas de rua e considerações nascidas do acaso. Vai à França, Espanha, México, EUA e Índia. Em filigrana podemos perceber um esboço de autobiografia, mas nada muito definido. Como as repetidas tentativas de Carrière de desenhar um Ganesha na areia da praia lambida pelas ondas, esse doc também se quer como conversa provisória, informal. E deliciosa.

O filme ainda passa hoje, domingo, às 20h, no Oi Futuro Ipanema.

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