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Começa hoje (quarta) no Rio a sétima edição da Semana dos Realizadores, pequena vitrine de novas propostas do cinema jovem (de muitas idades) brasileiro. Na programação montada por Lis Kogan e sua equipe há uma mostra competitiva com oito longas e 13 longas, além de 10 títulos em sessões especiais e seis outras produções cariocas. Some-se a isso uma seção de filmes convidados do Cine Esquema Novo Expandido – Berlinale Forum 2015 e uma retrospectiva do cineasta experimental francês Sylvain George, militante da causa da imigração e dos movimentos sociais. As atividades paralelas compreendem uma master class com Sylvain George e debates sobre “representações de gênero e os (des)limites do audiovisual”.

Confira tudo sobre o evento aqui.

A sessão de abertura traz dois filmes que já correm há algum tempo no circuito de festivais. O premiado curta Quintal, de André Novais Oliveira (Ela Volta na Quinta) é uma comédia absurda em que o diretor volta a escalar seus pais em papéis surpreendentes. Ficção científica, filme pornô, academia de ginástica e um político corrupto compõem a nova investida de André Novais, cada vez mais seguro nas suas fabulações a partir da vida familiar.

O longa Mais do que eu Possa me Reconhecer confirma a sensibilidade de Allan Ribeiro e seu parceiro Douglas Soares para o documentário intimista depois do belíssimo “Esse Amor que nos Consome”. Vencedor do Prêmio do Júri Jovem na Mostra de Tiradentes, o filme é bastante singelo na realização: registra o pintor e ilustrador Darel Valença Lins, 90 anos, sozinho em sua casa, ocupado com seus quadros e com as experiências de videoarte doméstica que o vêm fascinando ultimamente.

Para quem não conhecia esse premiado artista um tanto recluso, é um prazer descobrir aos poucos um amante de Rembrandt e Bill Viola. E também uma pessoa de passado efusivo e que hoje, depois de pelo menos uma tragédia familiar, vive sozinho numa enorme casa no Rio. Não há um interesse vampiresco por detalhes biográficos, mas somente um desejo de estar próximo e captar a essência de uma personalidade. Allan mescla suas filmagens com os vídeos de Darel, criando uma interessante complementação entre o homem filmado por terceiros e o homem que se filma obsessivamente, em busca de imagens da solidão.

Uma trilha musical estrelada por Ligeti, Messiaen e Saint-Saëns, entre outros, potencializa as imagens e imprime uma sonoridade evocativa dos filmes surrealistas e dadaístas dos anos 1920, origem de todo o cinema experimental. Essas discretas operações fazem com que a singeleza do processo dê margem a um resultado cativante.