Festival do Rio: É um Caso de Polícia

Neste sábado, às 15h, a Cinemateca do MAM oferece a última chance de ver, no Festival do Rio, a comédia policial É UM CASO DE POLÍCIA, uma deliciosa redescoberta apresentada pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro. Este foi o único longa dirigido pela imigrante italiana Carla Civelli. Antes disso ela havia montado diversos filmes dos estúdios Vera Cruz e Maristela, este dirigido por seu irmão Mario Civelli. Depois iria para a televisão, onde foi pioneira na direção de teleteatro e de dublagem no Brasil.

É UM CASO DE POLÍCIA foi dado como perdido durante décadas, sendo finalmente recuperado através de uma cópia sobrevivente, num dos últimos trabalhos do restaurador Francisco Sérgio Moreira. À frente dessa empreitada está a sobrinha de Carla, Patricia Civelli, que vem lutando também pelo resgate da obra do pai, Mario.

Glauce Rocha tem seu primeiro papel protagonista no cinema vivendo Belinha, uma jovem obcecada pelos crimes que consome avidamente nos jornais populares. Na verdade, obcecada pela prevenção de crimes. No dia em que ouve casualmente uma conversa suspeita, ela toma a iniciativa com que sempre sonhou: evitar que um assassinato aconteça. É o que a leva a afastar-se do namorado cauteloso (Sebastião Vasconcelos) e da irmã sonolenta (Glória Ladani) para meter-se numa divertidíssima confusão que envolve um milionário supostamente ameaçador, um mordomo que não sabe mentir, gente escondida em armário, identidades embaralhadas e um delegado mais perdido do que cego em tiroteio.

Escrito a partir de um argumento de Dias Gomes, o filme tem ritmo de thriller e uma engenhosa construção sonora que é parte inseparável da dramaturgia. A vocação detetivesca de Belinha a faz guiar-se pelo que ouve, e assim o filme explora as muitas possibilidades do som off, das conversas entreouvidas, dos ruídos significativos, etc. Pelas imagens passa um Rio de Janeiro nostálgico, com Ipanema pacata, areais desertos em São Conrado, a Rocinha coberta de mato sem a favela atual e muitas sequências ambientadas no interior da mansão do Prefeito Pereira Passos, na Rua das Laranjeiras.

 

5 comentários sobre “Festival do Rio: É um Caso de Polícia

  1. Uma pequena correção: tenho quase certeza que Mara Di Carlo é a moça que fica presa num armário, e não a irmã sonolenta. Ver o filme foi uma delícia sob vários aspectos. O nostálgico, para mim, foi o de rever atores que não eram da então privilegiada TV Tupi, mas da TV Rio, onde pela primeira vez vi Glauce Rocha e muitos outros do cast desta emissora quando era moleque. Abs

  2. Carlinhos em seu texto você aponta a importância de “uma engenhosa construção sonora” que foi um dos pontos críticos no processo de restauração.
    É muito bom saber que o resultado final ficou 100%.!

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