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Não tem preconceito contra a Axé Music que não se abale ao menos um pouquinho depois de passar pelo documentário AXÉ: CANTO DO POVO DE UM LUGAR. O filme traça a genealogia do gênero, de suas raízes no trio elétrico às mais recentes fusões com o pop, o afro, o latino, o reggae e o samba. O axé acabou abarcando diversas vertentes da chamada “música baiana”, seja o vanguardismo timbaleiro de Carlinhos Brown, seja a apelação erótica do tchan; seja a explosão criativa do Olodum, seja o chicletismo sonoro das grandes bandas com nomes sensuais como Mel, Beijo e Cheiro de Amor. O fato é que algum desses ritmos vai certamente fazer você balançar, nem que seja escondidinho na cadeira do cinema.

Chico Kertész conta essa história numa trama de depoimentos bem costurada, que muito se beneficia do carisma baiano do elenco. E o que chama atenção, além da relativa diversidade de pegadas musicais e coreográficas, é o fenômeno industrial em que o axé se transformou. Uma manifestação a princípio regional soube se projetar como negócio e como magneto midiático, batendo recordes de vendagem de discos e arrastando multidões no Brasil inteiro e no exterior. Luiz Caldas, Daniela Mercury, Carlinhos Brown e Ivete Sangalo são grandes estrelas de um firmamento coalhado de astros tão importantes quanto eles para o êxito e a evolução do gênero.

O filme não traz vozes criticas – e são muitas as que acusam o axé de abastardar a cultura baiana como vitrine de alegria fabricada. Ainda assim, não se furta a abordar aspectos menos “alegres” da onda axé, como os jabás, o sentido pejorativo que está na origem do termo e a perda de momento e de mercado nos últimos anos. Ivete aparece tentando em vão contestar a ideia de que a ganância e a falta de união levaram o axé ao quase esgotamento. Se morreu, não se sabe. Mas nesse doc ele respira com a força de um tufão. Peça ao projecionista que aumente o som porque o bicho pega do início ao fim.