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No Meio do Rio entre as Árvores, de Jorge Bodanzky, está em exibição no Cine Joia. É a rara oportunidade de conferir um dos trabalhos recentes do grande realizador de Iracema, uma Transa Amazônica (com novo DVD sendo lançado no É Tudo Verdade), Os Mucker e Terceiro Milênio. O novo filme confirma o cenário amazônico como um dos mais frequentados por Bodanzky, mas traz o seu cinema de aventura agora a serviço de um projeto de colaboração com as comunidades ribeirinhas nos confins do Alto Solimões.

Bodanzky documentou uma série de oficinas ministradas em 2010 aos habitantes de áreas de proteção ambiental, lugares onde o cinema e o computador ainda não tinham chegado, mas sim a televisão há muito tempo. Com as oficinas de vídeo, as pessoas desfrutavam pela primeira vez da oportunidade de produzir a imagem de si mesmas, e aprendem a entrevistar, enquadrar com a câmera, compreender como se formam os conteúdos a que assistem diariamente através das antenas parabólicas. Foram registradas também oficinas de fotografia e de circo, esta para crianças.

No Meio do Rio entre as Árvores tem uma tripla agenda: apurar diretamente as questões que afligem aquelas comunidades – como os planos de manejo dos recursos naturais, a economia de subsistência, a falta de recursos de saúde e educação -, colaborar para uma consciência de auto-imagem entre os participantes das oficinas e também buscar a beleza incontornável da paisagem amazônica. Em mais um de seus vários boat movies, Bodanzky pauta seu roteiro como um fluxo, que navega entre temas, pessoas e comunidades. Em 2010, aquelas imagens já haviam sido postadas, em pequenas pílulas, no site do Projeto Navegar, que o diretor então conduzia pelas águas da Amazônia.

Ao mesmo tempo, o filme nos faz pensar sobre o bom convívio entre ecologia e tecnologia. Vale perguntar: quando é possível trazer as modernas tecnologias de comunicação para áreas remotas como fatores de sustentabilidade e preservação da identidade de grupos, e não como elementos de desintegração?