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Essa nova versão de A BELA E A FERA é um caso raro de filme live action baseado em outro de animação. Na verdade, é um misto de animação computadorizada e encenação com atores. A mistura é intrincada e engenhosa, sem dúvida, mas acaba caindo num limbo: não tem o encanto puro da animação, nem a vivacidade de uma boa encenação com atores.

Uma das razões por que o filme tem recebido críticas majoritariamente negativas é o peso dos efeitos especiais, que minam a magia da história numa saraivada de cacoetes e movimentação frenética. Os móveis e utensílios animados dominam a maioria das cenas, mas sua graça se esgota na primeira aparição de cada um. Seria cansativo apontar os motivos de desapontamento, bastando citar o excesso de suntuosidade, a má qualidade das cenas de ação no final e a inevitável decepção de ver a simpática Fera se transformar num príncipe com cara de paspalhão.

É falta de carisma, mesmo, e não mais uma das tantas piscadelas à contemporaneidade. Nesse capítulo, temos uma Bela destemida, com espírito independente e interessada por livros, que inventou a máquina de lavar para ter mais tempo de leitura e se define pela pergunta: “Alguém pode ser feliz sem ser livre?”. Assim ela se opõe tanto ao macho alfa Gaston, que pretende desposá-la na marra, quanto ao príncipe vaidoso antes de ser enfeitiçado. Emma Watson traz para o papel as feições de universitária feminista, mas termina acomodando-se ao destino de princesinha, incapaz de rebelar-se contra o desfecho original da história.

Temos ainda uma cantora negra e o mui falado personagem gay, escudeiro apaixonado de Gaston e que tenta chamá-lo à consciência, já que não pode convidá-lo para a cama diante da plateia infantil.

Apenas ocasionalmente deslumbrante e raramente divertido, o filme de Bill Condon não consegue se libertar do castelo Broadway erigido pelas músicas de Alan Menken. Mesmo quando não está fazendo citações diretas, por exemplo, a “A Noviça Rebelde” (Bela subindo a montanha para cantar) e às coreografias caleidoscópicas de Busby Berkeley, a fumaça do déja vu embaça tudo.