Os índios um dia conhecidos como avá-canoeiros são os personagens de Taego Ãwa, que os irmãos goianos Marcela e Henrique Borela fizeram a partir do desejo de confrontar remanescentes da tribo com uma série de materiais audiovisuais sobre eles encontrados num arquivo de universidade. Em grande parte, o documentário se nutre das imagens do passado, filmadas em Super 8, 16mm e VHS. Uma cena de caçada ao cervo, obstinadamente acompanhada por um cinegrafista universitário, é o momento mais forte.
Talvez por timidez ou excesso de zelo, Marcela e Henrique não exploraram a contento o dispositivo de devolver as imagens aos índios. Nem, ao que consta, estes se mostraram lá muito interessados. Daí uma certa dissociação entre passado e presente. Ainda assim, fica claro que a transmissão da cultura dos Ãwa dependia em grande parte da figura patriarcal do velho Tuttawa, morto depois das filmagens.
O doc reconta uma história de coerção, deslocamento e morte dos índios pelos brancos na década de 1970, assumindo então uma postura de solidariedade à luta da família Ãwa pela demarcação de suas terras. Em dado momento, a narrativa abandona o tom de observação e exposição de arquivos para montar uma colagem bastante retórica sobre o avanço do poder político-industrial branco sobre as populações indígenas. Em parte, é um aceno dos Borela à inspiração assumida de Serras da Desordem.


