Festival do Rio: “A Suspeita”

O argumento de A Suspeita, de autoria do especialista em Segurança Pública Luiz Eduardo Soares, pretende desnudar os bastidores do sistema policial. Mas não vai muito além das boas intenções. Da forma como está desenvolvido no roteiro de Thiago Dottori e vários consultores, cada personagem traz seu papel carimbado na testa desde o começo.

Glória Pires é Lúcia, uma policial envolvida na investigação de um bandido foragido que diz ter provas de vários crimes cometidos por policiais. Quando um jornalista e escritor a quem ele passava informações é abatido numa emboscada noturna, as suspeitas se voltam contra Lúcia. Ela começava a sofrer de Alzheimer, o que parece dificultar sua defesa.

As relações de Lúcia com o delegado Gouveia (Gustavo Machado) e com Avelar (Charles Fricks), o novo chefe de polícia, não são as mais amigáveis, daí a fatal previsibilidade da trama à la Serpico (o clássico de 1973 com Al Pacino sobre corrupção policial). Na tentativa talvez de driblar essa previsibilidade, o roteiro envereda por uma opção labiríntica que a montagem de Joana Collier torna ainda mais artificialmente intrincada.

À falta de elementos que humanizem os personagens, a tendência é que os acompanhemos como a peças de um jogo de xadrez um tanto frio e mecânico. Nem mesmo os lapsos de memória de Lúcia chegam a ganhar proeminência em meio aos lugares comuns da rotina policial.

Pedro Peregrino aplica sua experiência na direção de teledramaturgia, obtendo bom rendimento do elenco e da mise-en-scène, mas sempre nos limites de um filme maquinal, sem maior personalidade nem eficácia como thriller.

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