A moda dos filmes de moda

filme fashionEstão desfilando no CCBB-Rio os documentários da 4ª Mostra Filme Fashion. O Festival do Rio apresentou cinco títulos relacionados com o tema. Nos últimos anos, o cinema tem escrutinado os bastidores dessa artindústria com um apetite inversamente proporcional à anorexia das modelos. Valentino, Karl Lagerfeld, Coco Chanel, Marc Jacobs (Louis Vuitton), Leigh Bowery são alguns dos estilistas enfocados recentemente em docs e fics. Sem falar na editora Anna Wintour (ficcionalizada em O Diabo Veste Prada e documentada em Vogue: A Edição de Setembro) ou na fotógrafa Annie Leibovitz.

Nos EUA, o ator Chris Rock faz sucesso assinando a direção do doc Good Hair, sobre penteados afro-americanos. Enquanto isso, o penetrante Hair India jogou uma luz sobre o comércio internacional de cabelos humanos para perucas e apliques. Uma Moda Transgressora abriu uma fresta histórica para a moda underground na Alemanha comunista. Há dois anos, um nome quente como Jia Zhang-Ke, em Inútil, escolheu o assunto para falar das transformações vividas pela China. O Filme Fashion traz até um doc brasileiro dessa leva, Top Models – Um Conto de Fadas Brasileiro, de Richard Luiz.

Mas o que, afinal, essa nova moda dos filmes de moda veste por baixo?       

Lá vão meus palpites. Antes de mais nada, o neo charme dos docs no mundo inteiro. Agora é fashion participar de um non-fiction. O doc de celebridades tem aí um campo fértil para flagrar idiossincrasias, fricotes, glamour – todo um mundo convidativo para as câmeras.

Mas a onda se estende também às fics. Chanel tinha duas cinebiografias em cartaz no Festival do Rio. A telessérie americana Ugly Beth (2006) era protagonizada por uma editora de revista de moda. Brüno, não esqueçamos, era um fashionista da pá virada.    

Os fashion films saciam a curiosidade do público em relação a um planeta exclusivo, do qual nos sentimos inapelavelmente excluídos. Anna Wintour comenta isso na abertura de Vogue. De alguma forma, eles satisfazem o desejo de nos vingarmos dessa exclusão pelo riso, pela costumeira acusação de “superficialidade” e esnobismo. Nesse sentido, Brüno era um herói dessa revanche. Desdém e admiração se confundem quando nos vemos diante das afetações de um Valentino, o Último Imperador.

O mundo fashion é uma forma de aristocracia. E a nossa relação com as aristocracias é ambígua por natureza.    

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