Notas do Ceará (1)

Não cheguei a Fortaleza a tempo de ver Real Beleza, de Jorge Furtado, exibido ontem (sábado). Mas assisti ao debate com parte da equipe hoje de manhã. O filme fala de um fotógrafo em viagem pelo interior do Rio Grande do Sul à procura de uma modelo. Ao encontrar a moça ideal, enfrenta duas dificuldades: a oposição do pai dela e os atrativos da mãe, com quem ele se envolve romanticamente. Furtado falou do “tema profundo” do filme, que é a descoberta de formas diversas de beleza: a beleza do texto, do gesto, da doação, etc.

“Existe uma forma matemática para se chegar à beleza ou tudo é uma questão subjetiva?”, perguntou-se. “A beleza não é senão um pequeno ajuste, um detalhe de composição ou de acabamento, e de repente ficou bonito, pronto, não se sabe bem como. Por outro lado, estamos tão saturados de beleza que muitas vezes não conseguimos mais ver a beleza.”

Francisco Cuoco, que passou cerca de 30 anos sem fazer cinema, disse que assim foi porque, primeiro, não foi convidado, e segundo, porque a TV o absorveu demais. Sobre o veículo, não escondeu suas restrições. “Às vezes mudo de canal quando vejo atores ou atrizes importantes tendo que dizer textos horríveis n TV. Mas é a sobrevivência, né?”.


A feira de fotos e cartas pessoais da Praça XV, no Rio,  vai salvar o cinema brasileiro? Ou vai inflacionar o mercado de arquivos?  Essa foi uma questão discutida divertidamente no debate dos curtas de sábado, especificamente o experimental Miragem, construído a partir de fotos de uma família no período da ditadura. Foi lembrado que o longa O Vendedor de Passados, de Lula Buarque de Holanda, também usou materiais adquiridos ali. Aliás, outro filme está sendo feito a partir das fotos usadas em O Vendedor de Passados.


O longa cubano A Obra do Século, de Carlos Machado Quintela, foi representado no debate pelo diretor de fotografia Marcos Attila Bohorquez Babinzky. Ele é húngaro com familiares na Bolívia. Conheceu Jorge Sanjinés quando uma tia de Marcos, residente em Potosi, emprestou sua casa para uma filmagem. Foi Sanjinés quem sugeriu ao jovem designer gráfico e fotógrafo entrar para a Escola de Cinema e TV de San Antonio de los Baños. Assim Marcos saiu da Hungria e foi parar no cinema cubano. Hoje mora na Bolívia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s