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the-assassin-poster1A ASSASSINA, primeiro filme wuxia (artes marciais) de Hou Hsiao-Hsien, é um thriller de ação contemplativo, por mais que esse conceitos soem contraditórios. A ação é mais mencionada do que vista e, quando acontece, é em cenas rápidas e curtas que parecem feitas apenas para cumprir o gênero. Na maior parte do tempo, HHH segue o seu figurino habitual: planos lentos, movimentos comedidos, um senso de composição virtuosista, imagens mediadas por cortinados transparentes e névoas.

A história, tão difícil de acompanhar que cada sinopse a conta de um jeito, se passa na China do século VII, quando o clã Weibo estava em conflito com a corte imperial. A personagem-título é uma moça sequestrada na infância e treinada como máquina de matar por uma monja taoísta. Agora ela deverá assassinar o homem a quem fora prometida, vivendo um conflito entre o dever e os sentimentos. Sempre que o filme ameaça se tornar um “Kill Bill”, a parcimônia do diretor se impõe e o ritmo se desacelera. Impera o esplendor visual das paisagens e dos interiores nobres, em que a figura humana desaparece dentro dos figurinos e se confunde com a cenografia.

Esse tipo de encenação de época funciona como um refúgio da frenética e pragmática China atual, evocando períodos mitológicos em que os senhores viviam um mundo formalmente perfeito em meio a rios de sangue. O prêmio de Cannes para a direção recompensou o esmero cênico de HHH, enquanto o de trilha sonora foi para a partitura discreta e minimalista de Lim Giong, o músico habitual de Jia Zhang-ke.


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Estreou mundialmente na plataforma Mubi a primeira experiência no documentário de Paul Thomas Anderson (“Boogie Nights”, “Sangue Negro”, “O Mestre”). JUNUN, com seus 54 minutos, não chega a ser exatamente um doc, mas apenas um registro dos ensaios e gravações do disco homônimo do israelense Shye Ben Tzur com Jonny Greenwood do Radiohead e músicos indianos de diversas etnias. Trata-se de world music energética, bastante percussiva e com massas de metais, cantos em hebraico e idiomas indianos. O disco sai agora em novembro.

Mehrangarh-Fort-JodhpurA particularidade do filme e do disco é que tudo aconteceu no cenário fantástico do Forte Mehrangarh, massiva construção num rochedo dominando a cidade azul de Jodhpur, na Índia. Já estive lá, chegando montado em lombo de elefante. O estúdio de JUNUN foi montado no interior superdecorado do forte, onde os músicos tocavam, cochilavam ou relaxavam durante os frequentes cortes de eletricidade. PTA não elabora quase nada sobre o material filmado descontraidamente, deixando mesmo algumas desestabilizações de câmera nessa edição transmitida pelo Mubi. Brinca com um drone sobrevoando o forte e pouco se afasta dali. As curtas cenas de rua, infelizmente, não abrangem o famoso bairro azul que faz a imagem mais conhecida de Jodhpur.

JUNUN (palavra que significa “loucura do amor”) parece mais um divertimento entre amigos do que um filme plenamente acabado. Mas a música é bonita e possante.