Elvis, Nixon e Glauco

Uma foto famosa e algumas notas esparsas são as evidências que ficaram do único e rápido encontro entre Elvis Presley e Richard Nixon no Salão Oval da Casa Branca, em dezembro de 1970. Elvis foi se oferecer como agente secreto do governo para investigar drogas e comunismo em troca de mais um distintivo para sua coleção. ELVIS & NIXON não diz que, enquanto isso acontecia, o próprio Elvis se entupia dos narcóticos que o levariam à morte sete anos mais tarde.

O filme dirigido por Liza Johnson se acomodaria melhor a um palco, já que seus melhores momentos são os encontros de Elvis (Michael Shannon) com John Finlator (Tracy Letts), diretor do Bureau de Narcóticos, e com Nixon (Kevin Spacey). Afora isso, o que temos é uma tediosa preparação burocrática e detalhes desinteressantes da relação de Elvis com seu assessor pessoal e amigo Jerry Schilling (Alex Pettyfer). Para os roteiristas, estender o pouco que se sabe daquele evento fortuito, sem entrar em maiores contextualizações, foi um esforço inglório.

A conversa com Nixon, filmada como um duelo, ou melhor, uma tourada humorística, é tudo pelo que vale a pena esperar. Os atores, embora não se pareçam com os personagens, sustentam convictos a caracterização – especialmente o virtuosístico Spacey. Elvis e Nixon aparecem como dois direitistas infantilizados, maníacos e alienados da realidade. Figuras de comédia negra, que numa realização mais talentosa poderiam entrar para a linhagem de “Dr. Fantástico”. Do jeito que estão, causam algumas boas risadas e logo desaparecem de volta para o anedotário da História.



Azar o meu que demorei a ver GLAUCO DO BRASIL. O filme estreou em março, o que significa que retardei em três meses o prazer de conhecer melhor a obra de Glauco Rodrigues, mostrada da forma inteligente e bela como fez Zeca Brito. A partir de uma entrevista com Glauco, feita em VHS quando tinha apenas 12 anos de idade, o também bageense Zeca levantou a evolução da obra do pintor, do academicismo inicial ao tropicalismo pop que o consagraria internacionalmente, passando pelo abstracionismo, a ilustração gráfica, a metapintura e os painéis onde a História do Brasil se mescla à contemporaneidade. O filme é um retrato artístico, afetivo e analítico como poucos pintores brasileiros modernos já tiveram a sorte de merecer. O trânsito frequente entre as telas e as imagens reais do Brasil, a perspicácia no isolamento de detalhes dos quadros e a qualidade dos depoimentos de críticos, colegas, modelos e da viúva Nora compõem um documentário altamente elucidativo sobre a obra de Glauco. E sobre uma representação do Brasil que embaralhou estereótipos para chegar ao novo absoluto.

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