ÉTV: voleibol e ginástica olímpica

Uma das mostras paralelas do 21º É Tudo Verdade reune, só em São Paulo (Cine Olido), documentários olímpicos brasileiros. Dois filmes dessa programação eu já conheço e recomendo.

Ouro, Suor e Lágrimas, de Helena Sroulevich, salda uma dívida do cinema para com uma das modalidades que mais glória deram ao Brasil nos últimos tempos, o vôlei. O filme faz a crônica de um contraponto dramático. Entre 2001 e 2010, a seleção brasileira de voleibol masculino foi campeã mundial oito vezes e venceu 16 dos 20 torneios disputados, tornando-se a equipe mais forte do mundo. No mesmo período, a seleção feminina, apesar de muitas vitórias, ganhou fama de “amarelona” por sucessivas derrotas em finais de campeonatos mundiais. A euforia de uns e a tristeza de outras pontua o filme, até uma relativa inversão em 2012. De qualquer forma, a parte do leão é dos meninos, embalados quase sempre em música épica e flashes de simpatia.

Apesar de alguns senões na narrativa, Ouro, Suor e Lágrimas presta um bom serviço à memória do vôlei. Condensa lances decisivos de partidas decisivas e coloca o espectador em relativa intimidade com os jogadores e jogadoras em viagens e no recesso do Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema. Resulta um perfil de grupo bastante coeso, que alterna a zoação ingênua com os arroubos de emoção e o lamento pelos longos períodos de separação da família. Perfil bem brasileiro, por sinal, em que certas virtudes olímpicas não foram afetadas pelo estrelismo e o novo-richismo que vemos no futebol.

A ginástica olímpica, por sua vez, é contemplada no curta Meninas, de Carla Gallo, realizado para a série Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. A primeira imagem, do nervosismo de uma menina antes de um salto, nos sintoniza com as tensões e a expectativa que moram por trás daquilo que chega aos nossos olhos como voo e dança. De resto, o filme é um espetáculo de equilíbrio e graça, combinando imagens de formação das ginastas com filmagens de apresentações em Olimpíadas.

Imagens de 10 célebres atletas e depoimentos em off de seis delas criam um perfil conciso, mas penetrante, de memórias e considerações íntimas: as peripécias da infância, o entusiasmo das competições, o risco físico que acompanha cada pirueta e salto mortal. O filme seria rijo e essencial como os movimentos das meninas se não se dispersasse por duas vezes em viagens ferroviárias cujo sentido metafórico é praticamente indevassável.

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