Tags

,

Tido como o primeiro filme a estrear no Salão da Assembleia Geral da ONU, HUMANO: UMA VIAGEM PELA VIDA tem a pretensão de ser uma obra de ambição planetária, cobrindo todos os continentes e muitas etnias. O fotógrafo, cineasta e ativista ambiental Yann Arthus-Bertrand é especializado em imagens áereas, tendo já sobrevoado praticamente a Terra inteira. Essas filmagens deslumbrantes, já vistas no longa Home – Nosso Planeta, Nossa Casa, estão aqui para demarcar a presença da figura humana nas paisagens – de estepes mongóis a mercado indianos, de montanhas nepalesas a salares bolivianos. No entanto, não ocupam o centro do filme, mas servem apenas de decoração para o que importa de fato, que são os depoimentos.
 
Homens e mulheres contam pequenas histórias de suas vidas e eventualmente discorrem sobre o que pensam do amor, do trabalho, das questões de gênero. Violência doméstica, desigualdades sociais, rupturas conjugais, guerras e morte são temas que mobilizam as dezenas de personagens e os conectam com o espectador. Alguns deles se dirigem diretamente à câmera, em inquirições e conclamações. É um vasto painel da diversidade humana, a par dos diferentes carismas, feições, etnias, idiomas, sotaques, tipos de voz e visões de mundo. Ao mesmo tempo, é como se todos estivessem equalizados pela filmagem dos rostos à mesma distância, com o mesmo tipo de luz e contra o mesmo fundo negro.
 
Pode-se alegar que, no fundo, tudo isso é um grande clichê, típico de megaprojetos do gênero. O estilo das sequências aéreas, embaladas por world music, lembra o de Powaqqatsi, de Godfrey Reggio, e de Baraka e Samsara, de Ron Fricke. Uma certa predileção por imagens exóticas de lugares pobres pode render também acusações de explorar a cinegenia da miséria. Nada, porém, diminui a simplicidade impactante daqueles rostos que posam como paisagens concentradas, olhos fixos no espectador, e daquelas vozes que expressam emoções tão díspares quanto podem ser díspares os homens sobre a terra.
 
A versão de cinema é um pouco menor que a soma das três partes do original. Estas podem ser vistas, na íntegra, no Youtube


Os horizontes sem fim do deserto australiano contrastam com a claustrofobia em que vivem os personagens de TERRA ESTRANHA. Uma família que há pouco se mudou para o lugar esconde um (ou vários) traumas do passado. Um dia as duas crianças saem para não mais voltar. Enquanto empreendem a busca, pai (Joseph Fiennes) e mãe (Nicole Kidman) vão revelando suas obsessões e distúrbios, responsáveis pela fratura emocional da família.

Primeiro longa de ficção da diretora Kim Farrant, o filme procura aliar uma ambientação sensorial (calor, tempestade de areia, pulsões eróticas), ressonâncias míticas aborígenes e uma investigação psicológica sobre transtornos familiares. O comportamento dos personagens tem algo de psicótico, que irrompe de maneira um tanto brusca para o espectador. Desamparados na vastidão da paisagem australiana, eles não têm muito o que fazer além de despir-se, de corpos e mentes, para recuperar o que for possível e aceitar o irrecuperável.