Festival do Rio: Tinta Bruta

TINTA BRUTA pode não ter essa intenção, mas parece um filme pré-formatado para atender a algumas demandas de um cinema brasileiro pretensamente ousado e moderninho. A começar pelo personagem do jovem gay solitário e retraído, que se expõe na internet dançando sensualmente com tintas fosforescentes no corpo e o pseudônimo “Boy Neon”. Pedro está à espera de julgamento por algo de grave que fez em resposta ao tormento do bullying. A irmã, sua melhor amiga, parte em mudança e ele acaba se aproximando de um estudante de dança que também curte uma webcam.

Em sua vacilante procura de convívio com o resto do mundo, o rapaz não tem lá muito sucesso. Seja permanecendo no seu bunker virtual, seja rompendo a redoma para tentar o contato físico, ele nada consegue reter – nem a clientela, nem os raros afetos. A julgar pela apatia com que se comporta e pela fala monocórdica, até compreendo o seu déficit de popularidade. Mas certamente a direção robótica de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon piora as coisas para o pobre Pedro.

O retrato de uma juventude antenada de Porto Alegre exala um cheiro forte de clichê. Os diálogos soam “escritos”, em frases como “Você tem alguém que te faz brilhar como a tinta?”, ou em frequentes respostas com aquele “Sim” que soa como preenchimento de formulário.

O filme tenta se equilibrar oportunisticamente entre um atrevimento sexual desprovido de maior sentido e uma ingenuidade dramatúrgica de pouco alcance.

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