É Tudo Verdade: Tio Tommy – O Homem que Fundou a News-Week

Exibições gratuitas: Plataforma Sesc Digital, de 11 a 18/04

Esse filme parte de um achado aparentemente prosaico: Thomas John Cardell Martyn está enterrado na pequena Agrolândia, interior de Santa Catarina, tendo na lápide aquilo que ele considerava seu feito mais importante e mandou gravar antes mesmo de morrer: “Fundador da Newsweek”.

Ora, o criador da segunda mais importante revista semanal americana, quem diria, acabou em Agrolândia. Mas como?

A diretora catarinense Loli Menezes empreendeu uma laboriosa investigação para responder a essa pergunta. Às lembranças singelas de moradores de Agrolândia, em geral descendentes de imigrantes alemães, somam-se arquivos e entrevistas colhidas na Inglaterra e nos EUA para refazer a incrível história do “Tio Tommy”, como ele era conhecido em seu último refúgio brasileiro.

Nascido numa família de duvidosa ascendência nobre na Cornualha, Thomas engajou-se como piloto de testes da RAF na I Guerra Mundial, quando um acidente subtraiu-lhe uma perna. Com uma prótese de madeira, ele emigrou para Nova York em 1923, onde se empregou como jornalista na revista Time e no jornal The New York Times. Não contente com a falta de concorrência à Time, coletou dinheiro entre os ricos – principalmente com a família de sua segunda mulher – e fundou a News-Week (assim mesmo, com hífen, nos primeiros tempos).

Dificuldades financeiras levaram a empresa a uma fusão, na qual Thomas se viu sobrando. Ele parte, então para as Bermudas e, após a II Guerra, para a América do Sul. Para cá vem sem a família. Vive em Buenos Aires, depois em Santos e finalmente se instala em Agrolândia, onde se casa pela terceira vez, agora com uma imigrante alemã.

Essa terceira vida do “Tio Tommy” é a que mais intriga a imaginação de todos. Um neto e duas netas, além de historiadores e jornalistas, especulam sobre as misteriosas atividades de Thomas em contextos de Guerra Fria, política da Boa Vizinhança dos EUA com a América Latina e ditadura militar no Brasil. Afinal, quem era mesmo esse homem que chegou por aqui como vendedor de “totalizadores” (calculadoras de previsão em corridas de cavalos) e em cujos documentos aparecem sobrenomes e profissões variadas?

Apesar de, aqui e ali, atravancar a percepção do espectador com um excesso de informações visuais de interesse subsidiário, o filme nos arrasta de maneira irresistível pelos meandros dessa vida estranhamente formidável. O roteiro perfaz um círculo elucidativo ao iniciar e concluir com a trivialidade simplória dos catarinenses, colocando entre essas duas pontas as viagens à Cornualha e aos EUA. Em todos esses locais, um fator de sorte: as diversas formas de carisma dos entrevistados agregam simpatia à curiosidade.

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