Tunga em estilhaços

TUNGA – O ESQUECIMENTO DAS PAIXÕES

Há uma armadilha sempre à espreita de quem faz filmes sobre artes plásticas. Pode-se soar aquém da obra se o resultado não faz jus à criatividade do artista. Ou pode-se ficar aquém do cinema quando se procura mimetizar – ou até ultrapassar – o artista. TUNGA – O ESQUECIMENTO DAS PAIXÕES incorre no segundo problema. O documentário de Miguel de Almeida tenta desesperadamente ser tunguiano ao investir numa estrutura quebradiça, cheia de curvas inesperadas e ocultamentos programáticos.

A criação ocorre basicamente na edição. Temos uma cornucópia de registros do artista em ação, coletando, esculpindo, performando. Sobre essas imagens, são adicionados fragmentos de comentários de artistas, críticos e cineastas, que pontuam a personalidade de Tunga, sua formação influenciada pela intelectualidade do pai, Gerardo Mello Mourão, e sua inquietação em várias frentes de trabalho. Reflexões do próprio Tunga também comparecem, estilhaçadas.

Para fugir ao formato televisivo, Miguel de Almeida sabota algum excesso de informação em troca de omissões deliberadas de rostos e nomes, que só aparecerão nos créditos finais. O resultado não é convencional, mas tampouco é “artístico” na medida que talvez pretendesse. E fornece do artista uma visão rarefeita demais, um tanto confusa e superficial.

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