Planeta Capadócia

Eu já viajei por um bocado de lugares exóticos mundo afora, mas pouca coisa que vi se compara à topografia da Capadócia, na Turquia. A erosão através dos milênios, facilitada pela maciez das rochas de tufo calcário, fez surgirem formações caprichosas e paisagens que sugerem um planeta diferente.

Considerada durante um tempo como o mais antigo exemplo conhecido de povoamento urbano em todo o mundo, datando do 7º milênio A.C., a Capadócia passou pelos impérios hitita, persa, macedônico, romano, seljúcida e otomano, além de ter tido sua época helenística. Muitos de seus tesouros artísticos e arqueológicos estão em museus da Turquia e de outros países. Para quem chega à região, a riqueza está mesmo no cenário natural espetacular.

Ao longo de milhões de anos, os humanos trogloditas construíram suas habitações escavando nas rochas, em lugar de erigir edifícios. Nos enormes cones de pedra é comum ver cavernas dotadas de salas, quartos, varandas, igrejas, etc. A cidade de Üchisar, onde nos hospedamos, é um lugar perfeito para se contemplar essa insólita urbanização nas pedras nuas.

Em nossa estada de três dias, passamos por diversas cidades onde quase não se distingue entre casas e pedras, natureza e ação de mãos humanas. Göreme, considerada museu a céu aberto e patrimônio da Unesco, visitamos edificações trogloditas e igrejas decoradas com afrescos de tempos imemoriais. Conhecemos Kaymaklı (os turcos não põem pingo no “i”), uma das várias cidades subterrâneas com vários níveis de profundidade construídas pelos habitantes para se refugiarem durante ataques e invasões inimigas.

Cada localidade possui um toque peculiar. Aqui, uma concentração de “chaminés de fada”, torres esguias de material calcário coroadas por uma pedra. Ali, um vale polvilhado de cones brancos ou vermelhos que parecem uma imensa bandeja de sorvetes. Acolá, um rio margeado por altos canions perfurados por cavernas. Mais adiante, uma antiga cidade grega perdida no tempo ou os resquícios de uma cidade romana com mosaicos em perfeito estado. Vimos até uma modesta sucursal de Veneza com gôndolas e tudo.

Em certos lugares, como o deslumbrante Vale dos Monges, chegamos a perder a noção de que estamos na Terra, tal a extravagância da paisagem ao redor. No caminho, ora cruzamos aldeias incrustadas em paredões de pedra, ora ficamos minúsculos frente à majestade do vulcão Argeu com seu cume sempre nevado.

O vídeo abaixo é uma síntese desse passeio, embalada por música pop contemporânea e peças da música turca tradicional. Mais abaixo, sugiro também um vídeo mais curto com a experiência inesquecível de sobrevoar o “Planeta Capadócia” a bordo de um balão.

2 comentários sobre “Planeta Capadócia

  1. Que lindo esse vosso passeio, com cenários e gente voadora sem asas, nesses tapetes mágicos coloridos “up to date”, por uma das regiões mais inesperadas do planeta, coisa só permissível para quem possui o raríssimo dom da “ubiquidade” – e das felizes escolhas – como vocês, não é? Parabéns e muito grato por mais esse “rolê” imaginário que você nos proporciona, sem risco de “queimar” um centavo da grana do nosso miserável “orçamento secreto privê”. Na realidade, passeios assim constituem verdadeiro investimento a fundo perdido, nas brechas escavadas em nossos momentos de “Ócio Criativo”, sabiamente sugeridos por Domenico de Mase, quando tantos desperdiçam tempo e munição, lendo, por equívoco e confusão mental, “Ódio Criativo”, até para “matar o tempo”, aproveitando a generosa legislação caolha na liberação da importação de armas, que tanto os incentiva… Uma pena.

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