Trainspotting + Teatro-doc

A maior surpresa de T2 TRAINSPOTTING vem antes mesmo de o filme começar. É saber que aqueles quatro malucos drogados, fucking loosers, autodestrutivos do cacete sobreviveram por 20 anos. Mark (Ewan McGregor) até virou careta, e em Amsterdã! Os outros continuam como os deixamos em Edinburgo, 1996, só que com menos cabelo e um pouco…

No limite

Depois de uma temporada bem sucedida em São Paulo, estreou semana passada no CCBB-Rio a peça FLUXORAMA. Por um lado, esta montagem segue o modelo de episódios adotado por Monique Gardenberg em espetáculos recentes como “O Desaparecimento do Elefante” e “5 x Comédia”. Mas o material original do dramaturgo Jô Bilac traz um desafio a…

5 x Comédia

Não é por minha irmã Monique dividir a direção com Hamilton Vaz Pereira, mas 5 X COMÉDIA só não diverte as pedras das calçadas do Leblon. Em cartaz somente até este domingo, a nova edição dos esquetes põe em contraste o grande espaço cênico do Teatro Casa Grande com o minimalismo do monólogo. Mas é…

O Balcão by Bodanzky

Uma das mais engenhosas, transgressoras e memoráveis encenações da história do teatro brasileiro foi a montagem de O Balcão, de Jean Genet, produzida por Ruth Escobar e dirigida pelo argentino Victor Garcia em 1970. Dada a baixa incidência de registros audiovisuais do teatro dessa época, especialmente das obras de Garcia, a filmagem que Jorge Bodanzky…

Uma coisa e outra

No blog Pontes e Filmes, veja os diferentes usos dramáticos que François Truffaut fez para as pontes no clássico Jules e Jim. E a instalação de uma dessas cenas na exposição Truffaut do MIS-SP. . Conheça os filmes-faróis de Aurélio Michiles no blog Faróis do Cinema. Entre eles, Aguirre, a Cólera dos Deuses: “Do meu ponto de…

Rosemberg no teatro, Bethania em exposição

O próprio Luiz Rosemberg Filho tem repetido que as pessoas estão gostando mais de DOIS CASAMENTOS – A Peça do que do filme homônimo. Talvez a razão seja muito simples: embora escrito para o cinema, o texto tem uma inequívoca vocação teatral. Quando na tela, DOIS CASAMENTOS parecia teatro filmado. Carminha e Jandira, as duas…

Mulheres-fênix

Com o monólogo EUGÊNIA, a bela atriz Gisela de Castro está fazendo um papel-revelação às terças e quartas-feiras no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura, centro do Rio). Sozinha no palco, ela vive umas 50 mulheres e ao mesmo tempo uma só: Eugênia José de Menezes, filha do governador de Minas Gerais no século XVIII, escolhida…

Sibylle, Vivian e John

Ana Beatriz Nogueira, essa gigantesca atriz, vai brilhar mais uma vez no palco a partir desta semana como uma filha de Jacques Lacan no monólogo UM PAI (PUZZLE), no CCBB-Rio. Assisti a um ensaio aberto no último fim de semana e de novo fiquei pasmo com a capacidade da Ana de se apoderar de uma…

A atriz, o baterista e o Velho Guerreiro

Não vejo razão para considerar ACIMA DAS NUVENS algo mais que um bom filme. Atrizes fazendo o papel de atrizes e mergulhando na nebulosa relação entre pessoa e personagem respondem por alguns clássicos do cinema, como “Persona”, “Noite de Estreia” (Cassavetes), “A Malvada” e “Crepúsculo dos Deuses”. Olivier Assayas escreveu especialmente para Juliette Binoche essa…

Que tal um teatrinho?

Três peças a que assisti em dezembro retomam a temporada em janeiro no Rio. Comento rapidamente cada uma: Foto: André Wanderley HORA AMARELA é o segundo texto de Adam Rapp encenado no Brasil por minha irmã Monique Gardenberg. O primeiro foi “O Inverno da Luz Vermelha”. Os trabalhos de Monique no teatro têm privilegiado obras…

Uma peça e quatro filmes

A FALECIDA, na montagem do nelsonrodriguiano Marco Antônio Braz, está em cartaz só até domingo no Teatro Carlos Gomes (Rio) a preço popular (10 reais, com renda revertida para a Casa dos Artistas). É um ótimo refresco para as emoções da Copa, embora o futebol esteja no centro da peça. No centro do palco, aliás,…

“Moscou” no Canal Brasil

Hoje (domingo) a Mostra Eduardo Coutinho do Canal Brasil exibe, às 19 horas, Moscou, décimo-primeiro longa-metragem do diretor, rodado em 2009. Na introdução à sessão, eu faço o seguinte comentário: Moscou é um filme que pretende criar um laço entre teatro e vida real. Nesse sentido, Coutinho tenta aprofundar as experiências levadas a cabo no filme anterior, Jogo…

Um passo além do teatro filmado

Na última cena de E Se Elas Fossem para Moscou?, as três atrizes da peça se deslocam de um andar para o outro. No mezzanino do Espaço SESC-Copacaba, lugar do teatro, os espectadores passam a vê-las num telão. No primeiro andar, a plateia do filme as recebe ao vivo. O plano que anuncia essa chegada…

Concórdia e o Vermelho

Na fila à minha frente, no Teatro Sesc Ginástico, a senhorinha balançava a cabeça frequentemente, concordando com o que Antonio Fagundes, no papel do pintor Mark Rothko, dizia sobre o respeito necessário diante de uma obra de arte. Para facilitar, vamos chamá-la de Concórdia. Era tão entusiasmada sua adesão à fala cênica que às vezes…

Shakespeare no cárcere

Depois dos aplausos da estreia, os atores dessa montagem do Julio César de Shakespeare não saem para jantar e comemorar com os amigos. Em vez disso, retornam cabisbaixos e silenciosos para suas celas na prisão de segurança máxima de Rebibbia, nos arredores de Roma. Estão condenados por tráfico de drogas, assassinatos e outros crimes, alguns à prisão…

As paixões siamesas de Evaldo Mocarzel

"A Última Palavra é a Penúltima"De todos os cineastas que fazem o trânsito entre cinema e teatro atualmente no Brasil, o mais ativo e inquieto é, sem dúvida, Evaldo Mocarzel. Seja escrevendo peças, seja filmando grupos de teatro paulistano e experimentando diversas formas de interação entre os dois campos, Evaldo vive essa hibridez como nenhum outro.

Simone, Maggie, Marilyn!

simoneQuando ela entra em cena, já perto do final do primeiro ato, é como se o iluminador dobrasse as luzes sobre o palco. Ela vem com o mix de sensualidade, beleza, vulnerabilidade e franqueza que imaginamos em Marilyn. Seus meneios de corpo e de voz recriam um arquétipo de feminilidade que parece não existir mais hoje em dia.

Gente no fio da navalha

Infelizmente, nunca li Haruki Murakami, cujos contos minha irmã Monique Gardenberg adaptou para o teatro junto com Michele Matalon. Não sei se isso é bom ou ruim para quem vai assistir a O Desaparecimento do Elefante, em cartaz até o dia 25 no Teatro Fashion Mall.

Pílulas na rede 9

Aprecio as experimentações de Patricia Moran no doc CLANDESTINOS, mas saí exasperado desse tal de PONTO ORG. Quase descolei a retina com a câmera tonta nesse mix indigesto de voyeurismo chique da marginalidade e pseudo-modernidade multiplataforma. Tudo provinciano demais, autocentrado demais, estereotipado demais. As ideias fragmentadas e incompletas podem ter charme quando têm alguma densidade…

A morte como bem de consumo

A Falecida não pesava toneladas como algumas transposições anteriores, nem queria ser puro divertimento como outras que viriam depois. Realizado em 1964 e lançado em 65, era uma aproximação possível entre o universo de Nelson Rodrigues e o campo de interesse social do Cinema Novo.