Dramalhão japonês com samba e churrasco
Em FAMÍLIA, dekasseguis desiludidos, guerrilheiros argelinos e japoneses sanguinários povoam uma história recheada de estereótipos.
Em FAMÍLIA, dekasseguis desiludidos, guerrilheiros argelinos e japoneses sanguinários povoam uma história recheada de estereótipos.
Em O MENSAGEIRO, Lucia Murat volta a discutir o autoritarismo brasileiro através de um jovem soldado em crise de consciência perante a barbárie dos seus pares.
O CONTATO insinua um certo existencialismo indígena. Uma abordagem engenhosa de heranças culturais sendo ameaçadas e resistindo à saga dos contatos de todo tipo.
O DIABO NA RUA NO MEIO DO REDEMUNHO, de Bia Lessa, vence dois desafios: põe “Grande Sertão: Veredas” em cena com a fibra merecida e pareia cinema e teatro num amálgama deslumbrante.
DE PAI PARA FILHO quer ser um “feel good movie” para espantar os fantasmas do passado ou, quem sabe, buscar a ajuda deles. Faltou, contudo, o grão de inspiração que resgataria o filme do seu esquema trivial.
MAIS PESADO É O CÉU enfoca sensibilidades humanas submersas na carência e na precariedade.
O ÚLTIMO PUB pode vir a ser o derradeiro filme de Ken Loach. Será o possível testamento de um cineasta que, como o pub de TJ Ballantyne, teima em plantar-se como um bastião contra os discursos de intolerância.
Um Jude Law gigantesco e uma Alicia Vikander opaca ilustram o balanço entre eficiência e convencionalismo de FIREBRAND, primeira ficção de Karim Aïnouz em língua estrangeira.
De Jonas a João, do documentário à ficção, FILHO DE BOI trata do desejo de circo e dos apelos do sedentarismo sertanejo.
ESTRANHO CAMINHO pertence a uma tendência muito contemporânea no cinema brasileiro que consiste em mesclar gêneros aparentemente desconexos em busca de um objeto fílmico não plenamente identificado.
Comento o que já vi da grande mostra socioambiental que começa hoje (1/8) em São Paulo.
O MAL NÃO EXISTE é um drama sócio-ambiental presunçoso que abusou da minha capacidade de absorver o arbitrário sob a capa do “tema muito importante”.
De grande empenho documental, LO QUE QUEDA EN EL CAMINO nos dá uma exposição crua da saga de uma família imigrante, mas não nos faz compreender muito bem o fenômeno mais geral.
TECA E TUTI – UMA NOITE NA BIBLIOTECA é animação infantil que aposta no humor delicado e no elogio dos livros e da educação, coisa rara em tempos de (in)cultura virtual.
FAUSTO FAWCETT NA CABEÇA faz uma imersão certeira no jeito de ser e de pensar do bardo de Copacabana.
VOTOS tem acesso a espaços restritos e à palavra de pessoas que optaram pela vida monástica. Mas evitou a esfera mais delicada.
A MÚSICA NATUREZA DE LÉA FREIRE é um misto de filme-concerto e documentário biográfico, retrato encantador de uma gigante da música instrumental brasileira. Leia também minhas notas sobre o francês DIVERTIMENTO.
Em texto especial para o blog, Sérgio Moriconi escava fundo os subtextos de LA CHIMERA.
No documentário FAKIR, Helena Ignez percorre duas décadas de faquirismo no Brasil, destacando astros e estrelas da arte do “jejum e tortura”.
O drama da aceitação entre pais e filhos ganha uma versão extrema em A FILHA DO PESCADOR. Leiam também uma nota sobre CARTA A UN VIEJO MASTER.
O SEQUESTRO DO PAPA retrata a violência espiritual da Igreja no século XIX e tem Marco Bellocchio fustigando mais uma vergonha histórica da Itália.
No lusco-fusco entre verdade e invenção, GASOLINE RAINBOW retrata um momento de deriva juvenil e informalidade na maneira de filmar.
Uma Istambul transgênero aparece dignamente em CAMINHOS CRUZADOS, bonito filme humanista sobre busca e bons sentimentos.
A instrumentalização dos hospitais psiquiátricos para isolar pessoas indesejadas socialmente recebe mais uma boa abordagem cinematográfica em NINGUÉM SAI VIVO DAQUI.
O documentário PARTIDO nos leva de volta ao período 2018-2022 em companhia de Fernando Haddad. É mais um documento daquele tempo triste e esboço de retrato de um brasileiro que nos orgulha.
Para além da fama de sua diretora e estrela, AINDA TEMOS O AMANHÃ de alguma forma bateu fundo na alma italiana com sua minúscula semente de conscientização e empoderamento das mulheres.
Toda a concepção de A FLOR DO BURITI foi compartilhada com os krahô. Isso garante um tom sereno e uma estrutura fragmentada, pouco afeita à narratividade branca. Mas não afasta a impressão de um certo déja vu em relação ao que discutem tantos outros filmes recentes sobre a problemática indígena.
Como construir uma vida orlandesca, pergunta-se o diretor de ORLANDO, MINHA BIOGRAFIA POLÍTICA. Sua opção é buscar uma narrativa coletiva que contemple as inúmeras “estações” da mudança de gênero.
LÔ BORGES – TODA ESSA ÁGUA é um perfil descontraído, mas bem concatenado, do autor de “O Trem Azul”. Reprisa nesta quarta-feira (3/7) no Canal Brasil.
SALAMANDRA trata do olhar a um só tempo deslumbrado e fetichizante dos europeus em relação ao chamado Terceiro Mundo.
Em AQUELA SENSAÇÃO QUE O TEMPO DE FAZER ALGO PASSOU, uma sucessão de cenas bem curtas, de humor lacônico, descreve a vidinha sem graça de uma garota nova-íorquina.
O que agrada em CASA IZABEL, misto de thriller e comédia queer, é sobretudo sua hipótese dramática e sua abertura para ancorar o delírio.