Terapeuta à beira de um ataque de nervos

A atuação de Rose Byrne em SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA tem sido muito festejada e premiada, não sem alguma razão. Mas o papel de uma mulher contra quem o mundo inteiro parece conspirar só ajuda a fazer a personagem irritante, oscilando sempre entre a raiva e o desespero.

Irmãs opostas

Em HARD TRUTHS, o mundo parece se dividir entre os temperamentos opostos de duas irmãs. Mas aos poucos Mike Leigh torna mais complexo o que parecia ser uma simples dualidade. HARD TRUTHS, candidato à minha lista de filmes favoritos de 2025 ainda não lançados no Brasil

Dois graves minutos

Dois minutos apenas podem mudar completamente a vida de uma família. O CASTIGO culmina com uma das mais duras e verdadeiras confissões de uma mãe.

O dia a dia de uma revolução

Richard Linklater me pareceu adotar dois estilos diferentes na direção de NOUVELLE VAGUE. De certa forma, essa diferença emula a revolução que Acossado provocou no panorama do cinema mainstream: a passagem do filme de produtor para o filme de autor.

Agnes, claro enigma

Do drama, SORRY, BABY vai deslizando para a comédia sem perder nenhum elemento, nem abdicar da gravidade do assunto. Eva Victor é uma revelação como diretora, roteirista e atriz.
MORRA, AMOR não é ruim de se ver, mas falta estofo dramático para além do retrato de uma mulher com transtorno mental.

Parábola do bom muçulmano

Embora reconheça em FOI APENAS UM ACIDENTE um libelo poderoso contra a ditadura iraniana, não vejo ali uma coerência que sustente as curvas dramáticas do filme.

Os vivos e os mortos

Por trás da aparência de um filme sobre crianças, A NATUREZA DAS COISAS INVISÍVEIS procura falar de coisas tão graves quanto a morte, o acesso ao sobrenatural e a identidade de gênero.

O silêncio dos inocentes

Para além da sensação de mistério e inquietude, O SÍTIO veicula uma pequena parábola sobre os interesses que fazem adultos e crianças se corromperem mutuamente.

Para além do casulo sociológico

Pode-se acusar QUERIDO TRÓPICO de ser conciliatório e dissipar as diferenças de classe no véu do congraçamento e da emotividade. Mas quem enxergar para além do antagonismo social verá um drama humano comovente.

À mesa com Scola

Mesmo sem novidades no menu, O JANTAR merece ser degustado pela doce ironia do humanista Ettore Scola. Numa de suas últimas aparições no cinema, Vittorio Gassman lidera um elenco de dar água na boca. No Festival de Cinema Italiano, online e em salas.

Recife quente

A exuberância de Kleber Mendonça Filho no trato com o cinema se sobressai nas pequenas tramas paralelas, nos episódios laterais que contribuem para o painel urbano de O AGENTE SECRETO.

Frankenstein na era dos simulacros

Em tempos de robôs assumindo o lugar dos homens e a inteligência artificial ocupando espaços antes privilégio da inteligência natural, voltar a FRANKENSTEIN ganha ares de maior atualidade.

Uma autista no espelho social

Tratando de autismo, UMA MULHER DIFERENTE não tem o diferencial que o eleve acima da média em termos de cinema, mas toca em questões delicadas da vida social em tempos de inclusão .

Festival do Rio: “La Grazia”

Em LA GRAZIA, Toni Servillo é a encarnação perfeita desse homem austero e frágil, impávido até a medula, dividido entre suas convicções e os apelos de uma sociedade que quer se mover no tempo.