Os curtas doc do Oscar
Notas sobre os cinco indicados ao Oscar de curta documentário de 2025
Notas sobre os cinco indicados ao Oscar de curta documentário de 2025
A performance interiorizada de Cillian Murphy cria uma barreira de opacidade que eu, particularmente, não consegui transpor no drama irlandês PEQUENAS COISAS COMO ESTAS.
O REFORMATÓRIO NICKEL demonstra uma grande coragem formal – e é espantoso que tenha chegado à final do Oscar de melhor filme. Ainda assim, o estilo chama tanta atenção que o assunto acaba ficando em segundo plano.
Algumas rápidas observações sobre os prêmios e trivialidades.
Minhas notas sobre os cinco indicados ao Oscar de documentário longa-metragem.
Por mais improvável que parecesse, a escolha de Timothée Chalamet para interpretar o jovem Bob Dylan em UM COMPLETO DESCONHECIDO resultou acertadíssima.
O INTRUSO é um libelo porno-político que pode soar ingênuo como transgressão, mas que tenta associar uma suposta liberação sexual a uma política afirmativa.
Aventura de sobrevivência, FLOW cativa o público principalmente pelo tratamento que dá a seus bichos-personagens. Indicado aos Oscars de animação e filme internacional.
KAYARA, A PRINCESA INCA tem design esmerado e imagens sugestivas, mas carece de personalidade própria e troca as pernas nas cenas de ação. Ainda assim, pode divertir plateias menos exigentes.
Leiam e vejam meu vídeo das cidades e oásis do Deserto do Saara na Tunísia.
OS 80 GIGANTES vai ao Sul para revelar uma companhia que amplia a paisagem brasileira do teatro de bonecos.
Desgastada pelo uso abusivo, a palavra afeto ganha significados ricos em MEU VERÃO COM GLÓRIA. Não apenas pela ternura das imagens que a diretora Marie Amachoukeli constrói, mas também pela complexidade envolvida nas relações entre as personagens.
O BRUTALISTA aspira ao mesmo porte monumental, sólido e massivo da arquitetura brutalista. Por vezes, tive a impressão de que o filme não é exatamente grande, mas sim pomposo e inchado por subtramas e alongamentos desnecessários.
SING SING tem a virtude de mobilizar com eficácia um elenco heterogêneo e chamar atenção para um projeto de extrema relevância. Como cinema, porém, me pareceu um drama institucional previsível, padronizado e sanitizado.
O documentário THE BIBI FILES expõe o jogo político tóxico do Primeiro Ministro israelense, que usa a guerra para escapar da condenação por corrupção.
Com poucos personagens, bons desempenhos e uma linguagem espertinha, o norueguês NINJABABY transita com humor e algum drama por temas ousados.
Técnica e artisticamente admirável, ainda assim A GAROTA DA AGULHA pode ser chamado de misery porn pelo apetite com que mergulha nas desgraças de seus personagens.
AOS PEDAÇOS é Ruy Guerra e seu mundo partido, onde a obscuridade não se limita ao espaço cênico.
Em AS CORES E AMORES DE LORE, Jorge Bodanzky faz um pequeno estudo da obra, ao mesmo tempo que retrata a personalidade afirmativa e autônoma da pintora Eleonore Koch.
Que outra razão haveria para um filme voltar à tragédia das Olimpíadas de Munique de 52 anos atrás senão o intuito de relembrar um precedente da ação do Hamas em outubro de 2023? Isso parece claro em SETEMBRO 5.
Dois filmes brasileiros lançados esta semana lidam com relações tóxicas que aprisionam suas vítimas num círculo de dependência, indulgência e um tanto de masoquismo: OS SAPOS e A VOZ QUE RESTA.
FAMÍLIA tem a dramaticidade carregada de um cinema clássico italiano, mas com toques inesperados de uma poesia triste. Um filme marcante.
Minhas notas sobre a ficção HOMENS DE BARRO e o documentário MADELEINE À PARIS
Indicado a 13 Oscars e cancelado por todos os lados, EMILIA PÉREZ chega aos cinemas. Continuo achando o filme formidável.
Poucas vezes, senão nunca, o cinema brasileiro trafegou com tantas franqueza e sensibilidade pelo universo popular das trabalhadoras do sexo como em RUA GUAICURUS. O filme está no streaming.
O roteiro de KASA BRANCA não deixa de lado nenhum clichê positivo da vida em comunidade, incluindo os acordos e negociações que permitem tocar a vida adiante e ter alguma alegria em meio às dificuldades.
ALMA DO DESERTO tem uma personagem e uma questão potencialmente interessantes, mas simplesmente não sabe o que fazer com elas.
Por várias razões, para o bem ou para o mal, ODRADEK é um filme único no cinema brasileiro. Ambicioso em termos de construção da imagem, seja do ponto de vista técnico, seja artístico, é um espetáculo ao mesmo tempo concentrado e excessivo, fascinante e extenuante.
TRILHA SONORA PARA UM GOLPE DE ESTADO é um filme excessivo, no bom e no mau sentidos. Um documentário histórico ao ritmo do jazz. Indicado ao Oscar da categoria.
Nem mesmo quando a realidade do mundo parece invadir a bolha dos cardeais, sujando as vestes de poeira e as testas de ferimentos, CONCLAVE renuncia a seu caráter de thriller ensimesmado, muito convencido de sua importância.
Leiam e vejam meu vídeo sobre os dois maiores tesouros da Antiguidade na Tunísia.
Dinâmico, sexy e tempestuoso, ANORA, Palma de Ouro em Cannes, vai desconstruir a história de Cinderela com o machado da tragicomédia.