Um filme cativante

Cativas – Presas pelo Coração é muito pouco do que se espera de um documentário sobre o mundo penitenciário. Não se fala em crimes nem de rotina carcerária, não há depoimentos sobre justiça ou violência. O que temos são sete diferentes histórias de amor vividas entre mulheres livres e presidiários na periferia de Curitiba. Joana Nin avançou e ampliou uma pesquisa que havia resultado no premiado curta Visita Íntima (2005). São novas as personagens e diversificadas as situações em que o amor, o companheirismo e a dependência mútua se sobrepõem ao fardo das culpas, aos preconceitos e à barreira das grades da prisão.

O acesso da diretora à intimidade de suas personagens é notável, chegando mesmo a filmar um casamento no presídio, o encontro sexual de um casal e a comovente primeira visita de uma jovem ao seu namorado. O eixo condutor do filme são as cartas de amor, curiosamente recheadas de desenhos românticos, uma espécie de Halmark carcerário. Embora não trate diretamente da questão, Cativas acaba chamando atenção para a importância dos laços afetivos na humanização do sistema penitenciário e na perspectiva de reinserção social dos presos. Mais que tudo, porém, é um irresistível filme de amor, popular e – desculpem o termo – cativante. ♦ ♦ ♦ ♦

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