O último tango em Montevidéu

MILONGA

Quanto menos soubermos sobre Rosa, a protagonista de Milonga, melhor. Algumas coisas sabemos logo de início: que ela é viúva, tem um filho encarcerado que recusa suas visitas e uma nora que não quer vê-la por perto. Tem também uma amiga que a instiga a se reconciliar com o tango. Quando coloca sua camionete à venda e aparece um comprador que também gosta de tango, um caminho de reafirmação da vida parece abrir-se à sua frente.

Tudo isso são apenas informações iniciais, pois Laura González, diretora e roteirista, libera o restante a conta-gotas, mantendo o espectador em constante expectativa sobre as razões e os detalhes. Eu diria que Laura é mesmo um tanto avara em esclarecimentos que ficarão ocultos definitivamente.

Vencedor do Cine Ceará de 2024, Milonga tem algumas qualidades frequentes em dramas humanos uruguaios: flui de maneira simples e suave, com algum humor, mesmo quando os fatos e sentimentos assumem proporções graves. Nesse caso, basta dizer que várias promessas do primeiro ato serão revertidas mais adiante, a ponto de o filme assumir matizes de thriller de suspense.

Rosa, vivida pela sempre impecável Paulina García (de Glória e Querido Trópico), é uma mulher traumatizada por episódios de violência na família e insegura quanto ao futuro próximo. Suas interações com Juan, o personagem de Cesar Troncoso, formam o centro nervoso do filme, com um divertido ensaio de romance que vai aos poucos se transformando em algo muito diferente.

Uma conversa de Rosa com outro personagem, perto do final, sela o drama com um lacre terrível. Àquela altura, Milonga já deixou para trás a comédia e o suspense, restando a Rosa enfrentar a si mesma.

>> Milonga está nos cinemas.

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