Para conhecer melhor o MST

À imagem de “invasores de terras” e “comunistas”, difundida na mídia empresarial e nos bolsões da extrema-direita, o documentário DE QUANTA TERRA PRECISA O HOMEM? contrapõe a realidade de uma cultura comunitária que valoriza a família, a educação e o respeito pela natureza.

Seringueiros: na guerra, nas lutas

SOLDADOS DA BORRACHA é o relato de um grande fracasso institucional, mas também um apanhado de recordações que se equipara aos melhores filmes de Eduardo Coutinho.
Em EMPATE, Sérgio Carvalho tomou o pulso da disposição dos seringueiros para a luta contra os “fazedores de deserto”, que derrubam a floresta para dar terra ao pasto.

Mujica em (muito) movimento

O documentário OS SONHOS DE PEPE faz um contraste gritante entre a retórica mansa e pausada de Mujica e o frenesi visual da edição que mistura um comentário crítico sobre as sociedades com flashes turíticos dos locais visitados.

Retrato e estética de uma geração

O relançamento de FELIZ ANO VELHO oferece a oportunidade de uma nova apreciação do primeiro longa de ficção de Roberto Gervitz e uma angulação adicional ao novo filme de Walter Salles. De quebra, temos um condensado do estado da arte do cinema brasileiro nos anos 1980.

Rindo do rei

Embora seja um espetáculo-padrão, A FAVORITA DO REI veicula leitura sardônica de uma monarquia já condenada à guilhotina antes do tempo.

Corpos em transe e em risco

CORPO PRESENTE é um filme-ensaio sobre o corpo como instância de onde tudo nasce e para onde tudo converge. Estamos, portanto, no reino da individualidade mais irredutível.
Thriller de terror matriarcal, A HERANÇA tem certa habilidade em manusear os tropos do gênero.

Do Líbano, com amor

O rigor estético de RETRATO DE UM CERTO ORIENTE agrada aos olhos e aos ouvidos, mas acaba por tornar o filme um tanto “arrumado” demais e relativamente frio quanto às emoções e à sensualidade de que trata.

Com a vida nas mãos

Pode ser que me tenha faltado sensibilidade feminina para apreciar melhor TODAS AS ESTRADAS DE TERRA TÊM GOSTO DE SAL, mas arrisco dizer que Raven Jackson ainda precisa de substância para preencher sua bonita embalagem.

África, entre guerra e música

Mais que o enredo em si, o que me conquistou em NAYOLA foi mesmo a qualidade da animação enquanto arte visual.
O documentário RAZÕES AFRICANAS usa performances e didatismo para falar da herança africana na música das Américas.

Chá ralo

Só nos 15 minutos finais é que Sissako enfim traz à cena sua intenção de denunciar o preconceito anti-africano entre os chineses. Mas então o chá já esfriou há tempos, e é tarde para BLACK TEA exalar seu aroma.

Maputo, eu te amo

MAPUTO NAKUZANDZA recorre ao formato das antigas sinfonias de cidades para revelar (e fantasiar) um dia na vida da capital de Moçambique. Um misto de documentário, ficção e experimentação.

Tapa na cara dos fascistas

BRAZYL, UMA ÓPERA TRAGICRÔNICA tem momentos muito palavrosos e não dá muita bola para a sutileza. Em compensação, nos brinda com uma verve carnavalesca e uma convicção antiautoritária que têm sido raras no cinema brasileiro.

Crime e fantasia

O chileno NO LUGAR DA OUTRA parte de um fato verídico para fazer um estudo de personagem obcecada pela fantasia de ser outra pessoa. Na Netflix.

A parteira heroica

A curva temporal muito ampla e o acúmulo de subplots acabam por prejudicar a densidade de MADAME DUROCHER, que resulta muito episódico e novelesco, como se fosse uma minissérie condensada.

No coração de Eunice

Fernanda Torres está extraordinária, sem dúvida, em AINDA ESTOU AQUI, mas sua atuação se beneficia de tudo o que está ao redor: a excelência na condução de todo o elenco, a vivência da casa e sua tocante despedida, o sentimento de época tão bem evocado nas imagens e nos sons.

Minha mãe era uma peça

MALU tem a dureza das palavras que ferem, mas também um humor inesperado que nos conecta em níveis diferentes com aquelas três mulheres. Estamos diante de um microcosmo da complexidade da vida.

Em defesa da morte doce

O QUARTO AO LADO tem closes magníficos das atrizes, mas patina um bocado, ora em flashbacks esquemáticos, ora nas ruminações repetitivas de Martha em sua desistência de sobreviver.