É Tudo Verdade: Sob Total Controle

Exibição gratuita: Plataforma Looke, 10/04 às 19h00 durante 24 horas

Pense num país que se tornou epicentro da Covid-19 no mundo. Um país cujo presidente menosprezou publicamente a gravidade da pandemia, desmontou as estruturas de prevenção, demitiu os que defendiam a Ciência e colocou a economia e seus propósitos de reeleição acima da saúde pública. Pense num presidente que privilegiou a lealdade política e as crenças religiosas em lugar da experiência na composição de seu staff de Saúde, fez campanha contra o isolamento social e o uso de máscaras, insuflou seus apoiadores a resistirem contra as medidas de segurança como forma de “patriotismo”, promoveu o uso irresponsável da hidroxicloroquina, se indispôs com governos estaduais e os culpou pelo aumento vertiginoso de infecções e mortes.

Pense num país cujo governo federal é direta e arrogantemente responsável pelo tamanho da tragédia do coronavírus.

Tudo isso faz pensar no Brasil, mas aqui estamos falando dos Estados Unidos. O painel exposto em Sob Total Controle (Totally Under Control) deixa claro que o atual presidente brasileiro seguiu, ponto por ponto, a cartilha mortífera de Donald Trump. Com o bordão de que a situação estava “totalmente sob controle” nos primeiros meses da pandemia, Trump traiu o povo americano, uma vez que, ainda em fevereiro de 2020, ele admitiu ao jornalista Bob Woodward que tinha plena consciência do horror a caminho.

O premiado documentarista Alex Gibney (Cidadão K., Um Táxi para a Escuridão), aqui trabalhando a seis mãos com Ophelia Harutyunyan e Suzanne Hillinger, construiu um amplo dossiê de informações que se estende incessantemente durante duas horas. Se não traz grandes novidades noticiosas, compila de maneira didática as atitudes políticas que levaram os EUA de Trump a liderarem o número de mortos no mundo (mais de 550.000 até agora). O Brasil segue nos seus calcanhares em segundo lugar, caminhando para 350.000.

A indolência do governo Trump se manifestou no desdém pelos alertas de cientistas e pesquisadores, na burocracia que atrasou os testes na população, na escassez de máscaras e no engajamento de jovens voluntários impotentes para negociar a importação de insumos, entre muitos outros disparates. A exemplo do que Michael Moore fez com o Canadá em Tiros em Columbine, Gibney & Cia. elegem a Coreia do Sul como contraponto à conduta desastrada dos americanos.

Cientistas, médicos e funcionários dissidentes depõem perante uma equipe protegida atrás de cortinas plásticas, abertas apenas no orifício onde fica a “Covid-camera” criada por Gibney. Um deles aborda a incidência maior de casos graves entre negros e pobres, incapazes de custear planos de saúde. Outro comenta como quebrou o protocolo do seu cargo e denunciou o estrago. A equipe entrevistou também o controvertido médico Vladimir Zelenko, que “vendeu” a Trump a suposta eficácia da cloroquina.

Sob Total Controle é uma peça de acusação que poderia ser usada num julgamento de Trump por crimes contra a Humanidade. Precisamos de um similar para descrever em detalhes o pesadelo brasileiro.

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