Do baú do Mojica

A iniciativa de retirar A PRAGA do baú de coisas inacabadas é louvável, mas nenhuma maquiagem iria disfarçar a indigência do original de José Mojica Marins.

A Trilogia da Imagem de Evaldo Mocarzel

A plataforma gratuita SESC Digital está disponibilizando até 13 de agosto os três documentários realizados por Evaldo Mocarzel, entre 2002 e 2008, com pessoas à margem da sociedade dita organizada. Reproduzo abaixo os textos que produzi sobre cada um dos filmes em suas respectivas épocas.

Quem matou Clara? Quem é Yohan?

Em A NOITE DO DIA 12, Dominique Moll nos deixa com uma especulação genérica sobre a violência contra mulheres, que estaria na base de um sistema de papéis de gênero, obsessões e toxicidade.

A possível beleza dos vãos

CANÇÃO AO LONGE delineia um tênue retrato de mulher, um pouco assim como quem dispõe as vigas de uma construção, mas não a preenche totalmente, deixando que os vãos fiquem expostos porque neles pode existir certa beleza.

Monólogos do corpo e da memória

Em SEUS OSSOS E SEUS OLHOS, Caetano Gotardo dá continuidade a uma busca bastante pessoal: a maneira como o movimento dos corpos diz alguma coisa a respeito de memória, emoção e imaginação.

Manobra de craques

Pedro Amorim administra um cruzamento de pistas dramatúrgicas com a categoria de exímio skatista. DERRAPADA tem ritmo impecável, com inserções oportunas de humor em meio aos momentos mais tensos e toques de animação maneiros.

Elis & Tom nas águas do In-Edit

Num estúdio de Los Angeles, em 1974, Jom Tob Azulay e o fotógrafo Fernando Duarte captaram a dinâmica trepidante entre Elis Regina e Tom Jobim enquanto gravavam o álbum magistral Elis & Tom. O filme, inédito por quase 50 anos, está no Festival In-Edit.

Voyeurismo cirúrgico

DE HUMANI CORPORIS FABRICA não está interessado em dramaturgia, nem tampouco em esclarecimento científico. A abordagem está entre a tecnicalidade médica e a experimentação visual de mau gosto.

Uma heroína nos bordéis de Mumbai

Em duas horas e meia de louvor à sororidade e à tolerância, com um apetite cinematográfico fora do comum, A VOZ DO EMPODERAMENTO justifica a admiração generalizada pelo cinema popular de Mumbai.

Uma ovelha rumo ao matadouro

Talvez haja uma leveza exagerada na forma como A GAROTA RADIANTE pinta o início do Holocausto na comunidade judia da França. O foco na eufórica Irène não justifica que tudo o mais fique tão desdramatizado e tangencial.

Sentimentalismo rodoviário

Timothy Spall costuma ser citado como o grande (ou único) trunfo de O ÚLTIMO ÔNIBUS, mas sua atuação acaba se tornando simplesmente macambúzia, tal é a insuficiência de um roteiro estudantil.

Coutinho no jogo da ficção

Neste sábado, 3/5, eu e Ruy Gardnier vamos conversar com a plateia da Cinemateca do MAM-RJ após a sessão dos filmes O PACTO e Faustão, de Eduardo Coutinho, que começa às 18h30. O Pacto é um média-metragem que integrava o longa em episódios ABC DO AMOR, coprodução de Argentina, Brasil e Chile. FAUSTÃO foi uma experiência de Coutinho no filme de cangaço, inspirado também no personagem Falstaff, da tragédia “Henrique IV” de Shakespeare. Sobre esses dois filmes, transcrevo aqui alguns trechos do meu livro “Sete Faces de Eduardo Coutinho”, onde analiso também a fase ficcional da carreira do cineasta.

A luta de classes na Mostra Ecofalante

Em O SONHO AMERICANO E OUTROS CONTOS DE FADA , uma sobrinha de Walt Disney põe o dedo na ferida da relação entre o império de sua família e seus empregados. Já ETNOCÍDIO – NOTAS SOBRE EL MEZQUITAL, de Paul Leduc, analisa de maneira peculiar o massacre étnico sofrido pelos indígenas otomis do México.