O terror

Existem vários contingentes envolvidos no “movimento”. A imensa maioria, não resta dúvida, é de gente bem intencionada que quer impor uma pauta de reivindicações para melhorar o país. Eles querem manifestações relativamente pacíficas, que se exaltariam apenas nos gritos e na disposição firme de encher as ruas.

No outro extremo, há os bandidos, deserdados de UPPs e anarco-aproveitadores que tomam a oportunidade para se vingar do poder público e saquear e destruir lojas privadas. Eles não são movidos por nenhum tipo de ódio político. Cobrem o rosto e riem enquanto quebram a cidade. Enquanto outros clamam por melhores serviços públicos, eles aumentam a conta do estado com a restauração de praças, sinais luminosos, abrigos de ônibus, relógios de rua etc.

Entre um e outro extremo há as “vanguardas revolucionárias”, fortinhos de academia e outros tantos depredadores com foco fixo: os prédios públicos diretamentre ligados a qualquer instância de governo. Eles querem invadi-los, e certamente não é para mudar o regime, como na Bastilha ou no Palácio de Inverno do Eisenstein. Tampouco parecem querer se limitar a uma tomada simbólica. Pela fúria com que atacam o exterior dos edifícios, o efeito lá dentro seria meramente saque e destruição. 

Essas edificações, então, são protegidas por cordões de isolamento formados por policiais. A medida é correta. Como cidadão, eu não quero que o patrimônio público seja destruído a troco de nada. Não tem ódio político que justifique esses ataques, mesmo se andam invocando desde o massacre dos índios no século 16 para o “V de Vingança” que hoje empunham. É simplesmente o terror.  

Os policiais, a princípio estacionados em seus postos, são insistentemente provocados e alvejados com pedras, objetos e rojões. Mesmo que não haja ordem para reagir, qualquer ser humano tem um limite para ser atacado sem resposta. Aí vem o contra-ataque com as armas a seu dispor: bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, balas de borracha. A situação acaba saindo de controle e os excessos aparecem. A dinâmica é de quase guerra civil, e a gente sabe o que isso significa. 

O “movimento” ainda acredita ingenuamente que pode controlar a propagação de excessos, a infiltração de fascistas e a coerência de objetivos. Está claro que não pode. A partir do que vimos ontem, isso não é mais ingenuidade. Os ciberativistas que querem ver o circo pegar fogo certamente não estarão no picadeiro na hora culminante. Estarão diante de seus iPads e iPhones, protegidos na bolha da classe média enquanto a tragédia acontece nas ruas e na constituição.

Podem me chamar de reacionário de esquerda, mas acho que os dias de inocência acabaram. De agora em diante, os convocadores de passeata, no modelo caótico que temos visto, são para mim cúmplices de terrorismo político.

2 comentários sobre “O terror

  1. Não só correta, mas EXEMPLAR a sua visão, Carlos Alberto.
    (E, de fato, em nenhum momento tema vir a ser chamado de “reacionário de esquerda” etc etc. É um risco que todos corremos, simplesmente ao dizer a verdade, doa em que doer.)

  2. Você estava lá, ontem? Foi perseguido a esmo até a boca do metrô Carioca sob chuva de bombas lacrimogêneas? Soube dos colegas e amigos recebendo bomba de gás no Circo Voador e na Lapa, onde bebericavam “burguesamente” o seu chopinho pós-passeata pacífica? Pergunte a vários colegas, antes de dar mais janela a esses vândalos que não representam em absoluto a maioria, e que tampouco têm sido contidos a contento, de parte a parte. Para ler isso a gente lê O Globo.

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