UMA INFÂNCIA ALEMÃ
Quando a II Guerra acaba, começam os problemas para o menino Nannning (Jasper Billerbeck). Por ter nascido fora dali, em Hamburgo, ele é hostilizado pelas outras crianças da ilha de Amrum, norte da Alemanha, onde mora com a família. O pai é da SS e está no front. O clima é de tensão silenciosa entre os que defendem Hitler e a guerra, e os que resistem silenciosamente.
Uma Infância Alemã (Amrum) é baseado nas memórias de infância do ator Hark Bohm, falecido aos 86 anos em novembro passado, apenas dois meses após a estreia do filme no Festival de Toronto. Ele aparece no epílogo do filme e colaborou no roteiro com o diretor Fatih Akin (Contra a Parede, Do Outro Lado, Em Pedaços). Trata-se de uma história de formação moral de um garoto que só apreende a realidade em fragmentos dolorosos.
Nanning é de uma família de baleeiros que passa necessidade naquela ilha remota. Ele se envolve em penosas negociações para satisfazer o desejo da mãe deprimida (Laura Tonke) de comer pão com manteiga e mel, itens raros no lugar. Nesse sentido, o filme se assemelha a O Bolo do Presidente, mas numa chave completamente diferente.
Amrum é uma ilha inóspita, de onde muitos moradores já emigraram para os EUA. Em compensação, recebe refugiados da guerra. Em sua jornada de filho dedicado, Nanning aprende a lidar com a perversidade alheia, a humilhação, as paixões políticas e os hábitos rudimentares da ilha. Os animais terão um papel importante nesse aprendizado, assim como as paisagens belas e desertas da ilha.
Não deixa de ser curioso ver a derrota alemã por esse viés distante, tanto em termos geográficos quanto etários. Mas o filme se ressente da mão pesada de Fatih Akin, manifestada na atuação impávida do elenco (que inclui Diane Kruger no papel da lavradora Tessa) e na incapacidade de penetrar no âmago emocional das situações. O fato de retratar alemães rudes não justifica a frieza da direção e a ausência de energia emocional na maioria das situações.
>> Uma Infância Alemã está nos cinemas.




