Singapura, singular e impura

Quem chega hoje a Singapura, como eu e Rosane fizemos em dezembro de 2017, não pode imaginar que aquela ilha já foi um lugar sujo e miserável, vilipendiado pela dominação estrangeira e a corrupção. Na perspectiva de turistas, tudo o que vemos é uma espécie de Shangri-lá pós-industrial, cheia de luxo e riqueza, com organização social aparentemente impecável.

É claro que não penetramos na Singapura profunda a ponto de testemunharmos as grandes desigualdades que ainda perduram por lá, nem o custo social da ordem implacável instituída desde a independência do país, em 1965. Ao longo das décadas seguintes, o processo civilizatório levado a cabo pelo governo incluía desde instruções sobre como os cidadãos deveriam lavar suas pias até prisão para quem jogasse uma ponta de cigarro na rua.

Os vínculos equidistantes estabelecidos com os EUA e a China, além de um capitalismo rigidamente controlado pelo estado, levaram ao “milagre econômico” e a um padrão de vida invejável. Os arrojados arranha-céus dispostos em torno da Marina Bay são vitrines do desenvolvimento da cidade-estado, hoje um centro financeiro global. O edifício triplo Marina Bay Sands é o cartão-postal da Singapura moderna, junto com a escultura tradicional do merlion (misto de sereia e leão).

Templo da Relíquia do Dente de Buda

Mas Singapura se orgulha também de sua “impureza”. O multiculturalismo está na base das políticas públicas. A passagem pelo império britânico legou ares de elegância e o inglês como língua oficial, junto com o malaio, o mandarim e o tamil. Basta se afastar da sofisticada área da Marina Bay para se entrar em mundos étnicos bastante peculiares. A Chinatown é super colorida e ativa, enquanto Little India é uma pequena Mumbai mil vezes mais calma que a original. Destaca-se ainda a zona árabe da cidade, dominada pela imponente Mesquita Sultan e a encantadora Haji Lane, coberta de grafites.

Os templos são uma atração imperdível, especialmente se estiverem em atividade na hora da visita (como aconteceu conosco). O vídeo abaixo inclui serviços religiosos no magnífico Templo da Relíquia do Dente de Buda e em dois templos hinduístas. Em matéria de museus, o forte em Singapura são o audiovisual e as novas tecnologias, como se vê nas gravações que fiz no Singapore Art Museum e no Singapore National Museum.

De resto, curtam as imagens impressionantes da Baía de Singapura e a fertilidade multicultural de um dos lugares mais curiosos do planeta. Para quem quiser ir direto a alguns pontos, ficam essas dicas:

00:00 – Impressões de chegada
02:49 – Clarke Quay
06:46 – Cruzeiro pelo Rio e Baía de Singapura
11:06 – Vistas da roda gigante Singapore Flyer
13:30 – Marina Bay
15:14 – Marina Bay Sands
17:59 – Gardens by the Bay
20:16 – As pontes de Singapura
23:18 – Boat Quay
24:20 – Raffles Place (centro financeiro)
25:06 – Orchard Street
26:07 – Burgis Village
27:57 – Chinatown
30:21 – Templo da Relíquia do Dente de Buda
35:08 – Templo Thian Hock Keng
36:30 – Little India
38:06 – Templo de Sri Mariamman
41:20 – Templo de Sri Veeramakaliamman
46:38 – A Singapura árabe
50:35 – Singapore Art Museum
51:34 – Singapore National Museum

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