MEDLEY
Medley faz uma aposta complicada: é um drama romântico adolescente de época. Sim, porque para o público adolescente de hoje fica difícil se conectar com personagens dos anos 1990, pré-internet, pré-celular e pré-Spotify. Para a plateia mais crescidinha, a trama pode parecer bastante ingênua e baseada em estereótipos muito gastos.
Lola (Mel Maia) é uma menina exímia nadadora que vive abalada por três adversidades: não se dá bem com a mãe sempre muito ocupada (Mariana Lima), desconhece o pai e não consegue fazer o nado borboleta. A relação entre esses três problemas vai se esclarecer ao final da estada de Lola na casa vazia de um tio no interior do estado do Rio de Janeiro durante as férias. Lá ela encontra nova motivação para nadar e descobre o amor e suas dores com um jovem local (Guthierry Sotero).
Baseado em livro juvenil de Keka Reis, adaptado por ela mesma para as telas, o filme de Ana Luiza Azevedo tem o capricho habitual da diretora no que diz respeito à visualidade (fotografia de Lílis Soares, montagem de Giba Assis Brasil). Mas o roteiro é por demais convencional, combinando trivialidades do romance de formação com clichês de rivalidade juvenil e competição provinciana. Não falta também aquela mui contemporânea sugestão de que homem, realmente, não presta.
Os diálogos, artificiais, são falados pelo elenco em tom quase burocrático, o que também dificulta a fluência e a espontaneidade das cenas. É uma pena que projeto pensado com evidente carinho não consiga superar suas limitações.
>> Medley está nos cinemas.




