Festival do Rio: “Literalmente Nu”

Como um curta-metragem de cerca de 20 minutos, Literalmente Nu (Truly Naked) estaria de bom tamanho. Mas, como esses homens que procuram terapia para aumento do pênis, o filme cresceu para 102 minutos. Assim, o primeiro longa de Muriel d’Ansembourg resultou meia-bomba.

Logo de saída somos apresentados ao absurdo da situação principal: Alec (Caolán O’Gorman) filma seu pai Dylan (Andrew Howard) performando um pornô hardcore com uma parceira de corpo pintado de dourado. Essa é a forma como o garoto vê o sexo: pela lente de uma câmera a serviço do pai. Ele filma, fotografa, edita os vídeos e organiza as sessões. O pai procura “meninas” e inventa artifícios para incrementar o seu negócio na internet.

Na escola, Alec escolhe como tema de um trabalho o vício por sexo online. Contra sua vontade, vai fazer dupla com Nina (Safiya Benaddi), filha de uma coach feminista e ela própria muito determinada e provocativa. Essa primeira aproximação real com um corpo afetuoso vai botar em xeque a capacidade de Alec de superar o retraimento e dispensar a intermediação da câmera.

Trata-se de um processo de cura, levado a termo não só por encontros ternos, mas também por choques de comportamento. Nisso o filme se perde com frequência. A conduta de Nina parece errante entre despertar Alec para o romance e penetrar no mundo pornográfico representado pelo depravado Dylan e sua modelo ultralibertina Lizzie (a atriz pornô Alessa Savage em desempenho estimulante).

Entre pai e filho, a relação mescla amor e submissão. Eles formam uma pequena empresa doméstica e patriarcal, que Dylan julga estar à parte do resto da sociedade na pequena cidade inglesa onde estão vivendo. É preciso esconder o que fazem ao mesmo tempo em que lutam por visibilidade na internet.

Volta e meia o foco se desvia para as invenções de Dylan com suas parceiras em cenas de comicidade e constrangimento. A ideia reiterada é de expor a vulgaridade do comércio sexual em oposição ao amor que floresce entre Alec e Nina. Esses dois também se repetem nas tentativas desajeitadas de chegar perto e explorar seus corpos.

Literalmente Nu prolonga demais seu argumento relativamente simples sobre libertação do jugo paterno (o falo preponderante) e troca da mediação através da imagem pelo tato.

>> Programação: https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/truly-naked

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