Histórias de viagem: Safári!

Quando o carro adentra os limites do Parque Nacional Kruger, no nordeste da África do Sul, é difícil acreditar que passamos da civilização à selva. Não se veem muros nem fronteiras claramente demarcadas, mas ali é o reinado das feras soltas, senhoras do tempo e do espaço. As estradas evoluem através dos campos sem fim. A diversão é encontrar os animais libertos, numa escala crescente de raridade que vai dos impalas elegantes aos leões majestosos, passando por elefantes, girafas, hipopótamos ou as pequeninas tartarugas-leopardo.

Intriga a ausência de limites explícitos entre os turistas e a fauna bravia. Os 20.000 km² do parque abrigam diversos hotéis de selva e áreas de descanso e piquenique, onde se pode relaxar fora dos carros. A única proteção é um prosaico passadiço gradeado na entrada desses lugares, que as patas dos animais não conseguem transpor. A impressão (errada, claro) é de que todo o entorno está vulnerável. No resto do parque, existe somente um código de comportamento para os visitantes: nunca sair do carro, não provocar nem interagir com os bichos, fazer silêncio ante a aproximação, por exemplo, de um leopardo. Quando estive lá, em 2011, testemunhei a cena de um guia que deixou seu veículo por um instante para retirar um pequeno camaleão do asfalto e recolocá-lo na mata. Ele fez a gentileza de trazê-lo primeiro à janela do nosso carro para mostrá-lo de perto, o que deu tempo para que um guarda do parque chegasse e o multasse sem mais conversas.

Nossa guia era a argentina Mirca, uma emérita identificadora de pássaros praticamente invisíveis no ar e de animais terrestres segundo o tipo de bosta deixada à margem da estrada. Em dois dias de trajetos pelo parque, meus olhos já começavam a ficar treinados em discernir o dorso de uma zebra ou a crina de um kudu em meio à folhagem, a muitos metros de distância. Cada encontro desses é um momento de epifania quando se está no clima excitante do Kruger. Os carros reduzem a marcha, param onde estiverem para contemplar a passagem augusta de um rinoceronte ou de um javali.

Infelizmente, não tivemos a sorte de nos deparar com um leão (somente com uma leoa, que está um ponto abaixo na escala Kruger), mas desfrutamos do nosso momento mágico quando demos com um belíssimo guepardo caminhando bem ao lado do nosso carro. Deixamo-lo tomar a frente e o seguimos devagarinho, em ponto morto. Como uma topmodel que tivesse a consciência de estar sendo admirada, ele galgou um marco da estrada e ficou ali se exibindo às nossas câmeras extasiadas (foto no alto). De repente, o simples marco de pedra se transformou num pedestal para aquela maravilha da natureza posar como um monumento.

Abaixo está um vídeo que editei com o material do Parque Kruger, incluindo a cena memorável do guepardo e vários outros encontros inesquecíveis com a nobreza da selva africana.

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