É Tudo Verdade: Abacus, Pequeno o Bastante para Condenar

À primeira lida da sinopse, pode parecer estranho um documentário sair em defesa de um banco. Mas Frank Capra também fez o elogio da pequena casa de empréstimos de George Bailey em A Felicidade Não se Compra. Este, aliás, teria sido o modelo inspirador do Sr. Thomas Sung, fundador do Abacus Federal Savings Bank, que atende à comunidade da Chinatown nova-iorquina. Um banco familiar, originalmente modesto em meio a lojas de macarrão chinês, que guarda as poupanças e financia a compra de casas pela gente local.

Em 2009, ao abrir investigação sobre um gerente fraudulento, a família Sung viu o processo aos poucos voltar-se contra os proprietários. Uma rede intrincada de documentos falsos, clientes oportunistas e funcionários corruptos ameaçou a existência do banco, no rastro da crise das hipotecas de 2008. Mas a família investiu suas energias e mais 10 milhões de dólares para enfrentar as acusações da promotoria, liderada por Cyrus Vance Jr.

O filme reconta os cinco anos que durou o processo e acompanha o veredito final. Steve James (Hoop Dreams) é um craque em encapsular grandes lapsos temporais numa narrativa razoavelmente concisa. Em Abacus, ele fornece um retrato quase íntimo dos Sung, criando a imagem de uma família unida e uma instituição simpaticamente antiquada, regida por princípios afeitos à informalidade chinesa. That’s Chinatown…

A frequente associação com o filme de Capra sublinha o aspecto humano e um tanto singelo do Abacus. O fato de ter sido o único banco levado aos tribunais após o crack de 2008 (as grandes corporações safaram-se apenas com multas) mostra a perseguição do poder público a uma empresa pequena, alvo de humilhações, prepotência judiciária e também de preconceitos étnicos. O documentário sugere que pode haver reservas quanto à decisão do júri no desfecho do processo, mas o que conta é uma história exemplar de bode expiatório.

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