O quilombo das letras

CADERNOS NEGROS

Em sua cruzada pela disseminação da cultura negra, Joel Zito Araújo nos traz a história de uma publicação seminal. Os Cadernos Negros, criados em 1978, em São Paulo, chegaram no ano passado a sua 45a. edição anual. Com poemas e contos, em formato de livro, os Cadernos lançaram centenas de escritores negros, entre os quais Conceição Evaristo e três de seus fundadores, Oswaldo de Camargo, Cuti e Esmeralda Ribeiro.

O lançamento do número 45, num misto de slam e show musical no Itaú Cultural, foi a base na qual Joel Zito assentou Cadernos Negros. Em torno disso, gravitam os testemunhos dos já citados e outros envolvidos na publicação independente, viabilizada com recursos próprios do coletivo Quilombhoje. Para isso, o grupo desenvolveu estratégias como conectar-se com os bailes soul e similares na década de 1970 e 80.

São muitas as dimensões da proposta dos Cadernos: divulgar a produção literária do povo preto e ao mesmo tempo ser um manifesto contra a dominação das culturas hegemônicas e combater o racismo na produção cultural. O assertivo Oswaldo de Camargo preconiza a afirmação do “Eu negro” na criação literária.

As cisões não deixaram de aparecer, já nos primeiros anos. Discussões sobre qualidade literária e a entrada de jovens com ideias diferentes levaram a uma reconfiguração da equipe, o que hoje parece bem absorvido por todos. As rodas de poemas e o culto da oralidade mantêm a união do grupo através dos anos.

A partir de argumento de Vanessa Souza e com produção de Juliana Carvalho, da Bang Filmes, Cadernos Negros busca uma linguagem vibrante, carregada de  grafismos visuais e letterings que valorizam a força dos versos transcritos na tela. A música marcante de Negro Leo colabora para o tom celebratório dominante no filme.

>> Cadernos Negros estreia no canal Curta! nesta quinta-feira, 9/7, às 22h30. Reprises sexta-feira, dia 10, às 02h e às 16h; sábado, dia 11, às 15h30; domingo, dia 12, às 21h30; segunda-feira, dia 13, às 10h. 

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