TOQUINHO: ENCONTROS E UM VIOLÃO

Dirigido por Erica Bernardini, curadora do Festival de Cinema Italiano, Toquinho: Encontros e um Violão chega perto de ser um documentário. O personagem está lá, com sua própria história e as muitas histórias de sua parceria com Vinicius de Moraes (cerca de 140 músicas) e de sua profunda ligação com a Itália, o violão, o futebol, a sinuca e a hipocondria.
Antonio Pecci Filho é simpático, tem alguma verve de contador de causos e desfila no filme alguns retalhos de seu imenso talento de compositor. Mas tê-lo diante de um microfone, num estúdio, narrando sua biografia não basta para criar cinema. Mesmo que intercalado com registros familiares e de shows na Itália e no Brasil, além de curtos depoimentos de outras pessoas, o largo tempo de tela ocupado pelo simples depoimento desequilibra o resultado.
Um pouco aquém do que seria um documentário razoavelmente elaborado, ainda assim essa pequena peça de homenagem tem seu interesse para quem aprecia a boa MPB. Toquinho descreve a gênese de músicas inestimáveis como Aquarela, Que Maravilha e Tarde em Itapuã. Relembra aventuras com Glauber e Chico na Itália, assim como um costume inusitado de Vinicius para se proteger nas viagens aéreas.
Entre os demais entrevistados destaca-se o irmão João Carlos, com quem Toquinho mantém uma relação fraternal comovente. Mas há também participações surpreendentes – em diversos aspectos – do tricampeão Rivellino e de uma Ornella Vanoni provecta e deformada por próteses. Nesse quesito, fica a pergunta que não quer calar: o que Pedro Bial está fazendo nesse filme?
>> Toquinho: Encontros e um Violão está nos cinemas.



