Como amante de pontes, assisti com algum prazer a Oito Pontes (Eight Bridges). Mas reconheço que não é filme para todas as plateias. James Benning convida o olhar a repousar sobre oito grandes pontes estadunidenses, dez minutos cada uma. Os planos são fixos, onde nada acontece além de carros que passam por cima ou embarcações por baixo e raras figuras humanas fazendo a travessia.
Um exercício para o olhar – ou talvez para a memória histórica. Algumas dessas pontes são icônicas, como a Golden Gate ou a George Washington. Outras tiveram papel importante na história ou na economia dos EUA. Como a Edmund Pettus, em Selma, no Alabama, onde Martin Luther King liderou a célebre marcha pelos direitos civis, dissolvida por um ataque da polícia no chamado Domingo Sangrento.
Mas nada disso é mencionado no filme. Nada se ouve além do ruído do trânsito ou do murmúrio das águas. Pescadores na Seven Mile Bridge, pessoas chegando numa elevação para fotografar a Golden Gate, patinhos desfilando ao largo da ponte Astoria-Megler, nuvens passando lentamente sobre a paisagem… Esses pequenos fenômenos são a única alteração no quadro para além do movimento na própria ponte.
O veterano James Benning, cultuado educador e cineasta experimental e minimalista, acumula filmes seriais onde explora paisagens estadunidenses. Oito Pontes conclui uma trilogia junto com Ten Skies e 13 Lakes. Quando estreou no Festival de Berlim deste ano, Benning declarou apenas que “parece ser o momento de pensar em pontes”. Os EUA são um país dividido e malvisto sob o governo Trump. Pontes, ao contrário, são metáforas de união e superação de obstáculos.
>> Programação: https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/eight-bridges
Para quem quiser uma complementação ou uma alternativa para Oito Pontes, sugiro meu filme-colagem Uma História de Pontes, disponível aqui.




