Um crítico de si mesmo

Ao debruçar-se sobre sua produção e escolher textos para esta coletânea, Marcelo Janot fez aquilo que poucos de nós se dão ao trabalho de fazer: a crítica da crítica

Uma colecionadora muito inquieta

A narradora do livro A COLECIONADORA DE LENDAS, de Rosane Nicolau, é uma menina que imprime sua subjetividade nas lendas que reconta. Ela comenta, indaga-se, intromete-se nas histórias, cria finais alternativos.

De Hitler a Vargas em imagens

Quando os cinejornais do Estado Novo enfocavam a chegada de Getúlio Vargas a grandes eventos, as cenas eram perturbadoramente semelhantes ao efusivo desembarque de Hitler em Nuremberg como retratado em O Triunfo da Vontade. Esse é apenas um dos muitos exemplos de semelhança entre as imagens oficiais brasileiras da época e a estética alemã dos…

A família Brasil segundo Avellar

Pode-se dizer que o ofício regular do crítico de cinema é separar um filme do outro. No seu trabalho cotidiano de resenhar filmes, ele costuma procurar em cada obra o que lhe é próprio, peculiar, aquilo que a distingue da massa de filmes. Destaca detalhes, sonda originalidades, aponta singularidades. Digamos que ele coloca uma cerca…

Cinema de fato

Nesta terça-feira (22/11), vou lançar o meu livro CINEMA DE FATO – Anotações sobre documentário. Vai ser das 19h às 21h no Espaço Cultural Olho da Rua, um misto de galeria de arte, local de eventos, shows e performances. O endereço é Rua Bambina, 6, em Botafogo. No próximo dia 8/12 será a vez de…

“para não dizer que ficou sem título”

A casa aqui está uma pequena usina de livros. Em apenas quatro dias, dois novos serão lançados no Rio, ambos pela Editora Jaguatirica. Neste sábado, dia 19, entre 17h e 19h, a Rosane lança um livro de microcontos intitulado para não dizer que ficou sem título. Será no estande 27 da Primavera Literária do Rio…

Glauber, revisão crítica

Glauber Rocha é o cineasta brasileiro sobre quem mais se escreveu, no Brasil e no exterior. Há biografia, análises da obra sob diversos prismas, coletâneas de ensaios e de correspondência, livros sobre momentos específicos de sua carreira (como O Leão de Veneza), sem contar os vários escritos pelo próprio. Ainda assim, é preciso reservar um…

O herói e a gatinha

Livros de amigos – escrever ou não sobre eles? Como não sou crítico literário, cabe bem a pergunta. O que escrever além de comentários afetivos e cumprimentos de camaradagem? Quando ir além dessas formalidades? Dois livros que li recentemente me estimularam a ir além. Os autores são amigos queridos e pessoas envolvidas com o cinema.…

Yes, nós temos filme-ensaio 6/6

O modo Refrativo Vários filmes já abordados nos modos anteriores, como Mato Eles?, Santiago, Rocha que Voa e Brasília Segundo Feldman, filiam-se também ao modo Refrativo por tratarem diretamente ou mesmo questionarem o próprio cinema. Timothy Corrigan destaca uma característica fundamental: “Em vez de atuar como comentários artísticos, o que eu denomino cinema refrativo reconstitui…

Yes, nós temos filme-ensaio 5/6

O modo Editorial Timothy Corrigan situa os filmes-ensaio editoriais numa “herança que remonta aos sermões e avança pelos editoriais de jornais e blogs da internet”. São “investigações sobre a verdade e a ética dos acontecimentos e do comportamento contemporâneo”. Diante deles, o espectador não recebe informações organizadas nem simplesmente testemunha uma investigação, mas é estimulado…

Yes, nós temos filme-ensaio 4/6

O modo Viagem Tanto Passaporte Húngaro e 33 quanto Diário de uma Busca e 500 Almas, já citados aqui, são filmes que se realizam em grande parte como viagens de seus diretores à procura de informações, vestígios ou realizações pessoais. Timothy Corrigan cita os “encontros experienciais” nos “espaços do mundo” como os que “testam e…

Yes, nós temos filme-ensaio 3/6

O modo Diário A forma do diário e da correspondência está nas origens mesmo do ensaio literário, uma vez que ele se posiciona como uma reflexão do autor desenvolvida ao longo de determinado tempo ou dirigida a alguém. É nessa acepção diarística que Timothy Corrigan insere Rien que les Heures, os diários fílmicos de Jonas…

Yes, nós temos filme-ensaio – 2/6

O modo Retrato As dessemelhanças entre o perfil de Di Cavalcanti oferecido por Glauber Rocha em Di-Glauber e o do também pintor Carlos Oswald realizado por Régis Faria em Carlos Oswald, o Poeta da Luz podem ilustrar algumas diferenças básicas entre o filme-ensaio e o documentário stricto sensu. O filme de Régis Faria lança várias…

Yes, nós temos filme-ensaio – 1/6

Dou início hoje à publicação de um longo artigo sobre filmes ensaísticos no Brasil. Sairá em seis partes, uma a cada três dias. Introdução  A partir da leitura de O Filme-ensaio – Desde Montaigne e Depois de Marker, de Timothy Corrigan (Papirus, 2015), resolvi reunir lembranças e anotações sobre filmes brasileiros que se enquadram nessa…

Cidadão Giudice

Uma homenagem a Victor Giudice na Cinemateca Se vivo fosse, Victor Giudice (1934-1997) estaria completando hoje (domingo) 82 anos. Quem o conheceu como escritor, professor, músico, ator amador, crítico musical ou simples companheiro de ilimitado carisma, não o esquece jamais. Por isso mesmo um grupo de parentes, amigos e conhecedores da sua obra organizou uma…

Dois filmes e um livro

MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA é uma adaptação competente e bastante literal da peça de Shakespeare. Na maior parte do tempo, os atores simplesmente dizem o texto em tom sóbrio, distante tanto da virulência do “Macbeth” de Polanski quanto da monstruosidade expressionista da versão de Orson Welles. O Macbeth vivido por Michael Fassbender tem a frieza…