Três dias no Fórum

Atendendo ao gentil convite de Aline Ferreira, vou enfim conhecer in loco o Fórum Doc BH – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte. Eles estão em festa de 15 anos – o tempo em que eu os acompanho à distância, por exiguidade de agenda e falta de oportunidade. Minha estada vai ser curta – três dias a partir de hoje (terça) – mas acho que é um bom período para sentir a força do evento.

Hoje à noite, por exemplo, vai ser ótimo rever Ladrões de Cinema em sessão comentada por Jean-Claude Bernardet. Fernando Coni Campos (1933-1988) é homenageado com uma retrospectiva, que pretende contribuir para tornar esse realizador um pouco menos “objeto estranho” na cinematografia brasileira. Amanhã à tarde, todos os olhos estarão voltados para a sessão especial do novíssimo A Voir Absolument (Si Possible) – Dix Années aux Cahiers du Cinéma, 1963-1973, de Ginette Lavigne, Jean Narboni e Jean-Louis Comolli (este, um verdadeiro ídolo do Fórum). Na quinta, se me deixarem entrar como ouvinte, vou assistir à primeira aula do curso de Eduardo Escorel, intitulado Dilemas da Observação.

Basta folhear o catálogo do Fórum 2011 (online aqui) para perceber que este é um dos festivais de cinema mais cultos do país. Organizado por gente saída da academia e ligada aos Estudos de Cinema, tem como meta não só exibir filmes, mas também aprofundar questões caras ao cinema não puramente ficcional. Assim, além da mostra competitiva com os filmes da temporada, há outros segmentos de caráter mais especulativo. A mostra/seminário deste ano é dedicada às relações entre homens e animais através do cinema. Outra mostra, igualmente acompanhada de debates, está apresentando o cinema dos povos originários da Bolívia e do México.

Cada um dos setores do Fórum mereceu um ou mais textos no catálogo, que tem corpo e densidade de um bom livro. O texto de apresentação, assinado por nada menos que 26 pessoas, reflete a postura de um evento descentralizado, fruto não de um projeto de empreendimento, mas de uma reunião de amigos dispostos a exercer a paixão e o zelo pelo cinema e as ideias em torno dele. Sintomaticamente, essa apresentação conclui referindo-se a “uma pequena comunidade, leve e dispersa – e isso confere um mistério a esse festival – que se materializa nas primeiras filas da sala Humberto Mauro, em um período de breves e densos dias do ano para assistir e conversar sobre filmes, que certamente nunca teríamos chance de ver e compartilhar se não os projetássemos nós mesmos. Foi por isso que fizemos”.

Nos três dias em que me juntarei a essa comunidade, pretendo passar minhas impressões pelo Twitter e Facebook. Se houver tempo, volto aqui ao blog.

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