A financeirização do mundo, de Japeri à Grécia

“As instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que os exércitos permanentes”, disse Thomas Jefferson, citado no documentário DEDO NA FERIDA. Com isso Silvio Tendler não está incentivando ataques a caixas eletrônicos, nem a retirada súbita de todos os depósitos nos bancos do país. Produzido por uma série de sindicatos, DEDO NA FERIDA é um dossiê abrangente sobre um processo cruel: a financeirização e despolitização do mundo capitalista.

Professores de economia, jornalistas, líderes populares, ex-ministros como o grego Yanis Varoufakis e o brasileiro Celso Amorim, o cineasta Costa-Gavras e o podólogo Anderson Ribeiro, morador de Japeri, falam dos seus diferentes pontos de vista sobre o estado de coisas que levou o planeta a aumentar dramaticamente a concentração de renda nos últimos 30 anos. A produção, o trabalho e o bem-estar do povo saíram completamente do centro das preocupações dos poderosos para dar lugar à capitalização desenfreada, à priorização dos acionistas e à mera circulação de dinheiro dentro do próprio sistema financeiro. Tudo isso tendo os políticos como fantoches do poder econômico, as corporações como “governos-sombra” e a mídia como agente de difusão dessa ideologia.

O que torna esse filme mais particular é a articulação que Tendler promove entre a situação do Brasil e as da Europa, Estados Unidos e América Latina. Aliás, em longas como “Utopia e Barbárie” e “Encontro com Milton Santos”, esse emblemático documentarista tem sido um dos poucos empenhados em colocar o Brasil dentro do contexto internacional – a ponto de extrair de Varoufakis a afirmação inusitada, mas compreensível do ponto de vista geo-econômico, de que “a Grécia é parte da América Latina”.

DEDO NA FERIDA trabalha com cabeças falantes, imagens ilustrativas de miséria e resistência, dados estatísticos e muitos gráficos incrustados na tela. É a estética expositiva por excelência, da qual Tendler não abre mão. Daí não ser mero clichê dizer que seu filme é uma aula. E das mais esclarecedoras, sobretudo para o momento que atravessamos de desmonte, entreguismo, submissão ao neoliberalismo excludente e regressão conservadora. A ferida está exposta e dói na gente.

Para uma abordagem mais completa do filme, leiam o artigo de Léa Maria Aarão Reis na Carta Maior.

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