DROPS DE ANIS no Festival de Brasília
“Uma grande conversa sobre cinema brasileiro” – é assim que os diretores Samuel Lobo e Rodrigo de Janeiro definem Drops de Anis. Eu diria que se trata de um filme-enquete abarcando diretores, pensadores, curadores e espectadores em abordagens livres sobre a produção e o consumo de filmes brasileiros.
O recente sucesso nacional e internacional de Ainda Estou Aqui e a estreia de O Agente Secreto em setembro do ano passado emolduram esse passeio pelas opiniões dos entrevistados. Opiniões que variam entre o entusiasmo e as reivindicações, entre o mero comentário leigo e as ideias mais elaboradas.
Percebe-se que a meta dos realizadores era a diversidade. Assim temos as contribuições do pensamento queer, dos cineastas de periferia, do cinema negro, etc. Alguns recordam seus primeiros passos na cinefilia ou na realização. Adélia Sampaio, por exemplo, lembra-se que entrou no cinema como telefonista. Outros defendem o cinema de guerrilha ou o cinema intuitivo que se opõe às formalizações.
Gosto particularmente das intervenções de Cavi Borges cobrando visão política dos governos e pedindo que não se tenha vergonha do nosso cinema. Destaco também os testemunhos de Adirley Queiroz e da paraense Jorane Castro, que ampliam o mapa da consulta para fora do eixo Rio-São Paulo-Recife. A crítica e pesquisadora Andrea Ormond traz boa análise da geleia geral que compõe o cinema brasileiro.
Allan Ribeiro provoca um momento autorreflexivo quando pega seu celular e filma a equipe que o está entrevistando (foto acima). Um momento breve como tudo no filme. São drops mesmo, sem disfarçar que se trata de uma reunião de cabeças falantes apenas entremeadas por cenas levemente ficcionalizadas nos arquivos do CTAV. Ali a atriz Flora Camolese faz o papel de uma arquivista.
Os pareceres de espectadores comuns sobre preferências entre cinema brasileiro e estrangeiro, ou entre ver filmes em salas ou em casa, são quase sempre superficialíssimos. Mas não podem ser descartados, uma vez que retratam a dificuldade do nosso cinema em conversar com o nosso público.
Drops de Anis não traz propriamente uma luz nova sobre esse debate, mas cria um belo álbum de figuras carimbadas. E é mais um a celebrar a beleza e a resiliência do Cinema São Luiz de Recife.
>> Drops de Anis estreou ontem (13/9) no Festival de Brasília.




