QUEM GOSTA DE POBRE É A ESQUERDA no Youtube
Durante a pandemia de Covid 19, o jornalista e professor João de Oliveira, brasileiro radicado há muito em Paris, dedicou-se a um projeto de resguardo da memória política. Reuniu virtualmente sociólogos, pesquisadores, ativistas, historiadores e personalidades políticas para analisar os anos Bolsonaro. O resultado é um filme de depoimentos colhidos via Zoom e chamadas da imprensa, ou seja, um filme de textos orais e escritos. Um filme de conteúdo, um dossiê sobre um período que o Brasil não merecia ter vivido.
Ou talvez merecesse, face à vocação da sociedade brasileira para o autoritarismo, como lição a ser assimilada, se é que um dia será. Quem Gosta de Pobre é a Esquerda tem por subtítulo Ou a necropolítica do Governo Bolsonaro. O conjunto de análises e reflexões tem a qualidade de avançar para além do meramente factual e investigar o contexto antropológico e sociológico que, vindo de longe, levou à eleição de um candidato fascista, homofóbico, anticultura, anticiência e com tendências genocidas.
Até eu fui chamado para “estrear” como analista político, junto a nomes como Jean Wyllys, Renata Souza e os professores André Marenco e Henrique Amorim. Minhas intervenções são mais incisivas que propriamente analíticas, mas acredito não ter falado besteira.
Depois de tentativas de definir quem é Jair Bolsonaro, os entrevistados enveredamos pelas circunstâncias que levaram a sua eleição – entre elas, o ressentimento de parte da população e o ativismo judicial e midiático na Lava Jato contra os governos do PT. Tudo isso sobre o pano de fundo mais geral da eterna crise da democracia brasileira.
Entre os pontos abordados estão os efeitos do golpe de 2016 e da gestão bolsonarista com seus ataques ao meio-ambiente, à saúde pública, à melhoria de vida dos minorizados sociais, à educação e à cultura. Ao mesmo tempo, vieram a desindustrialização e a volta do Brasil ao mapa da fome.
Já então se percebia o fator mais mórbido de todos, qual seja a resiliência do bolsonarismo apesar de todo o mal causado ao país. Um mundo paralelo se estabelecia entre os seus adeptos, como bem explica André Marenco. A eleição de Lula em 2022 – único momento em que o filme do João cede a imagens de arquivo – significou um anteparo fundamental para a proteção da democracia, mas, como se vê, não foi capaz de debelar o Mal de uma “sociedade doente”, no dizer de Jessé Souza que ocupa a epígrafe.
O processo de mudanças sociais é lento e cheio de recuos. Filmes como esse nos ajudam a pensar melhor como eles se dão.
Veja o filme na íntegra:





Incrível! Gratidão por compartilhar conosco o filme, Carlos!
Estamos juntos, Katinha.
tudo indica que o legado trágico do governo bolsonaro não serviu de lição. Prova disso é que nas pesquisas, seu filho 01 tem um eleitorado significativo que o escolheria como presidente.
Meu caro Joffily, eu estou tão decepcionado com o tal do “povo brasileiro”. Vocação pra escravo, prazer em ser enganado, masoquismo político.
Difícil…