Fenelon vem aí restaurado

Amanhã (quarta-feira), na Casa de Rui Barbosa (Rio), às 14h30, o pesquisador Carlos Roberto de Souza, da Cinemateca Brasileira, vai apresentar sua tese sobre a preservação de filmes no país. A cinemateca paulista tem sido o principal laboratório dessa atividade, o que não basta para disfarçar a deficiência de uma política pública voltada para a restauração e preservação do cinema brasileiro.

Nesse contexto, o trabalho de formiguinha feito por algumas pequenas instituições e famílias têm feito uma grande diferença. Alice Gonzaga, Patricia Civelli, Myrna Brandão (Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro) e as famílias de Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade, entre outros, estão na linha de frente carioca desse bom combate. Os festivais do Rio e de Brasília puderam apreciar este ano a cópia restaurada pelo CPCB de A Hora da Estrela, de Suzana Amaral.     

Agora chega mais uma notícia auspiciosa, como tantas, patrocinada pelo Programa Petrobrás Cultural. Até dezembro, parte da obra do diretor, produtor, roteirista e técnico de som Moacyr Fenelon terá sua restauração concluída. O projeto do Instituto para Preservação da Memória do Cinema Brasileiro (IPMCB), iniciado em 2006, foi realizado por iniciativa de Alice Gonzaga, que recebeu dois prêmios recentemente por seu trabalho de preservação, um da Academia Brasileira de Cinema e outro do FestNatal 2009. São cinco filmes produzidos e dirigidos na fase final da carreira do cineasta (de 1948 a 1951): Obrigado Doutor, Estou Aí?, Poeira de Estrelas, Dominó Negro e A Inconveniência de Ser Esposa. Alguns anos atrás, o CPCB salvou da destruição um clássico do diretor, Tudo Azul. 

Fenelon foi o primeiro grande ativista político da classe cinematográfica, incentivou o cinema independente e inspirou a geração nacionalista dos anos 1950-60. O período final de sua carreira nunca foi avaliado na prática. A reunião desses cinco títulos pretende compreender e divulgar sua atuação como produtor, diretor e seu projeto de um cinema que ampliasse as estratégias de produção ligadas à chanchada. Os filmes recuperados são documentos históricos da era de ouro do filme popular brasileiro. São, também, registros da nossa cultura do pós segunda guerra mundial – momento de profundas mudanças na estrutura social brasileira. As cópias restauradas serão exibidas em um lançamento realizado em parceria com a Petrobrás e em seguida vão circular em festivais e mostras pelo país.

(Parte deste texto foi transcrito do release do IPMCB)

Update: No Festival de Brasília foi anunciado ontem o início da restauração de O Leão de Sete Cabeças, de Glauber Rocha, numa parceria do Governo da Bahia, Associação Baiana de Cinema e Vídeo – ABCV, Tempo Glauber, Cinemateca Brasileira e Estudios Mega.

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