O paradoxo George Soros

SOROS

O documentário Soros (2020) inventaria grande parte da batalha de ideias em torno do megainvestidor e filantrocapitalista George Soros, hoje com 96 anos. A extrema direita mundial o odeia porque ele sustenta ONGs em mais de 120 países nos cinco continentes. Os liberais o cultuam porque ele mostra uma “face boa” da especulação financeira, que ajuda movimentos democráticos e pró-minorias mundo afora.

O filme dirigido por Jesse Dylan, filho de Bob Dylan e também engajado na ideia de melhorar o mundo, traz dados biográficos de Soros, desde sua infância clandestina de judeu na Hungria ocupada pelos nazistas. Filhos, amigos e historiadores dividem com ele essa narrativa. Falham, porém, em não contar como começou sua fortuna a partir de uma família de classe média.

Mais que uma biografia, Soros é uma discussão de ideias em torno do ativismo bilionário. A lista de (do)ações é imensa, da luta anti-apartheid na África do Sul à derrubada do comunismo na Europa Central e à libertação da Bósnia, passando pelas causas LGBTQIA+, direitos reprodutivos da mulher, Black Lives Matter, proteção ao meio-ambiente e mais o que você pensar, inclusive no Brasil.

Que essa ação seja feita com lucros do mercado financeiro, às vezes provocando crises na economia de países, é a grande contradição de George Soros. Com ideias complexas e palavras simples, ele defende seu direito de usar o poder do dinheiro para realizar sua “fantasia messiânica” de salvar o mundo.

O documentário destaca o valor de Soros na luta antifascista, mas não contempla as críticas da esquerda mais raiz, que o acusa de promover reformas liberais que nutrem o capitalismo predatório em vez de mudanças mais estruturais contra as desigualdades sociais. Ele usa a especulação financeira como laboratório de suas ideias progressistas. Estas, portanto, não existiriam sem aquela. Eis o paradoxo George Soros.

>> “Soros está no streaming Curta On e estreia no canal Curta! nesta sexta (18/9) às 22h. Reprises: sábado, dia 12, às 02h e às 15h40; domingo, dia 13, às 21h40; segunda-feira, dia 14, às 16h; terça-feira, dia 15, às 10h

 

4 comentários sobre “O paradoxo George Soros”

  1. Salve, Giba querido. Recebi por esses dias o “Só Nós” com sua dedicatória e já estou me divertindo com os palíndromos. Postei no Facebook assim: “Chegou essa publicação com as pérolas desses dois palindromistas. Agora estou A LER ELA”

  2. Muito bom. Verei o filme. Mas gostei particularmente de ver o verbo “inventariar” associado à prática documental. Brinquei de associar “inventariar” com “inventar” e cheguei até “Uma história do vento”, sabe lá como.

      • Sou eu, Giba Assis Brasil. Como assinei o blog, achei que estaria automaticamente logado. Não sei como faz pra logar. Abraço.

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