Títulos

Sou apaixonado por títulos. Mais do que resumir uma obra, um veículo ou uma instituição qualquer, eles agregam sentidos, apontam direções, funcionam como despistes. Para Arthur Omar, por exemplo, intitular um filme ou uma fotografia é atribuir-lhe uma máscara, um disfarce. Certos títulos são obras em si, como O Inútil de Cada Um (livro de Mário Peixoto) ou Cinema Transcendental (disco de Caetano). Outros são piadas que se consagram, como Oito e Meio de Fellini.

Quando surgiu a revista piauí, a princípio gostei do nome. Era súbito e sonoro, imprevisível. Depois desgostei quando o associei à postura esnobe da revista para com o mundo aquém da alta cultura. Agora tomei conhecimento da existência de uma revista de cinema chamada Juliette, já em sua nona edição. De cara, achei interessante. Logo pensei nas Juliettes Binoche, Gréco, Lewis. Mas aí topei com a explicação do título pelos editores da revista:

“Juliette ou a Condessa de Lorsange representa, na obra do Marquês de Sade, o espírito transgressor necessário para a crítica que ele constrói à sociedade do período Iluminista e dos atos que presencia durante a Revolução Francesa –  muitos na guilhotina. Este período de crimes em nome de ideais, Sade transforma em personagens cruéis, como a filósofa Juliette, em busca “dos descaminhos do coração humano”.

Fiquei pasmo. De onde saiu essa ideia estrambótica? Continuo achando o título gostoso, com esse tempero francês que tanto associamos ao cinema. Mas preferia não ter conhecido a justificativa. 

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