Mil mostras de cinema

Hoje (quinta) às 19h tem debate de especialistas em Amos Gitai e Abbas Kiarostami na Caixa Cultural (Rio), dentro da programação da Mostra O Cinema Além Muros. Paralelamente, o CCBB está apresentando uma retrospectiva do canadense Guy Maddin e o IMS, uma Mostra Eduardo Coutinho. Escolhas difíceis para cinéfilos aplicados. Tem sido assim. Este ano já tivemos Chris Marker, Stan Brakhage, Marguerite Duras, Chantal Akerman, Marlon Brando, Hélio Silva, Jean Rouch, Erotismo no cinema brasileiro, Cinema Novíssimo Brasileiro e outras. No dia 31, abre no CCBB uma Mostra Lima Duarte. E ainda vêm aí completíssimos Woody Allen (novembro, CCBB) e David Lynch (dezembro, Caixa).

É uma pequena Paris, n’est pas?

Eu me orgulho de ter contribuído para a gênese dessa oferta. Até 1989, quando integrei a equipe de implantação do CCBB, mostras de cinema (não falo de festivais) eram coisa de um gueto específico – as cinematecas. Como coordenador de cinema e vídeo do centro cultural, comecei a articular mostras modestas. Machado Filmado foi a primeira, com adaptações do autor de Dom Casmurro. Ainda naqueles primeiros anos, fizemos retrospectivas memoráveis de Pasolini, Godard, Glauber Rocha (expondo pela primeira vez seus desenhos), Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Vera Cruz.

Emplacamos esse modelo de mostras com curadoria especializada, debates, edição de um catálogo consistente e, muitas vezes, restauração de filmes e confecção de cópias novas para a ocasião. O CCBB vem mantendo o nível de qualidade por todos esses anos, caminho mais recentemente trilhado também pela Caixa, o IMS e o Cine Glória. No fundo, o CCBB instalou no Rio o conceito de centro cultural.

Esse é um trabalho de formiguinha, que visa a formação de plateias e o aprimoramento da oferta cultural. Nem sempre as salas estão lotadas, mas isso não invalida a importância estratégica dos eventos. Eles são multiplicadores. Para empresas públicas, principalmente, fazer isso não é um favor, mas uma obrigação.        

3 comentários sobre “Mil mostras de cinema

  1. Carlinhos, pensei nisso outro dia: o Rio está com uma programação cinéfila muito boa, sofisticada, parece mesmo que estamos em Paris! Hehehe! Que continue assim!
    E me lembro bem do seu trabalho pioneiro no ccbb!
    Obrigado e abraços.
    Vinícius.

  2. Foi nesse contexto que criamos a Mostra, inspirados e incentivados por esse espaço que abria o CCBB. E você, Carlinhos, foi um grande incentivador disso tudo. Isso não podemos esquecer . Acho bom você trazer esse panorama que, para nós, parece tão próximo, mas para a rapaziada quem vem vindo, tudo parece ser como sempre foi…
    A a Mostra virou festival, mas acho que aprendeu nessa escola…Valeu!! Beijos

    • Foi mesmo uma época fértil, Patrícia. Surgiram a sua Mostra do Filme Etnográfico, a Curta Cinema (que também virou festival), o Anima Mundi, o É Tudo Verdade, o Cinesul. Toda(o)s estão aí até hoje. É muito bacana.

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